quarta-feira, 15 de maio de 2013

O Famoso Caderno. O teu Rosto.

Se eu pudesse descrever uma imagem
na minha poesia, seria a do teu rosto,
o teu rosto a silenciar os segredos da tua vida.

A outra imagem que eu descrevesse, seria
a do mar revolto, onde o teu rosto descansaria
e em que os teus olhos vivos pudessem navegar.

Finalmente, o teu corpo seria o fim sem fim
dessa poesia e tu inteira e liberta triunfarias
sobre as vagas e a espuma branca da minha mão.

Pedro Chagas Freitas. Amor.

Queria dizer-te. Queria.
Queria olhar-te. Olhar-te com força – como se olha com força? E dizer-te.
Dizer-te que sim. Sempre sim. Desde o primeiro não que sim.
Dizer-te que quero. Olhar-te com força. Dizer-te. Queria.
Dizer-te. Negar o não. Negar o não que desde sempre – onde começou o sempre? – foi sim.
Dizer-te menti. Dizer-te fugi. Dizer-te parti.
Queria. Dizer-te aqui. Dizer-te agora. Dizer-te já.
Queria. Sempre queria.
Queria, amor. Amor.
O imperfeito. Queria. O imperfeito.
Amor.


in, Dá-me o prazer de entrar e sair nas pontas dos pés.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

O Famoso Caderno. Só.

Como se fossem tuas as palavras
e eu as lesse no fumo das tuas mãos.

Como se estivessem pousadas
nos teus lábios,
para se soltarem livres depois.

Névoa que descesse sobre o mar,
barco e cisne,
escarpas douradas do meu sentir.

Uma vez, esse fulgor acendeu
a minha noite e eu segui,
deslumbrado,
o sentido do teu olhar.

Vi-te então abrir os braços
e flutuar sobre as ondas
revoltas doutro olhar.

Em esfinge e pedra,
um só grito surdo ecoou.

E em mim secaram essas palavras,
abismos de sal em que me deixaste ficar.