quarta-feira, 8 de maio de 2013

O Famoso Caderno. Só.

Como se fossem tuas as palavras
e eu as lesse no fumo das tuas mãos.

Como se estivessem pousadas
nos teus lábios,
para se soltarem livres depois.

Névoa que descesse sobre o mar,
barco e cisne,
escarpas douradas do meu sentir.

Uma vez, esse fulgor acendeu
a minha noite e eu segui,
deslumbrado,
o sentido do teu olhar.

Vi-te então abrir os braços
e flutuar sobre as ondas
revoltas doutro olhar.

Em esfinge e pedra,
um só grito surdo ecoou.

E em mim secaram essas palavras,
abismos de sal em que me deixaste ficar.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

O Famoso Caderno. Para Céline.

Escreviam execravelmente...e dormiam com as artistas...
os gondoleiros de bairro... prosaicos lusos...
sacanagem gratuita... de tão óbvia...
nada que eu não soubesse já...

Amavam em espanhol... Hella...
mnhm... mhnm...
sacudindo os braços...

Bebiam vinho...e faziam teatro...
como quem quebrasse vidros...
devagarinho...
os brojessos...

Os felizardos... tristes
felizardos...

( Para
Louis- Ferdinand Céline. )


Gabriel von Max. Clairvoyant-Veritas. c. 1895.

Foto: Gabriel von Max.
Clairvoyant-Veritas. c. 1895.