Tenho os olhos cansados
de tanto apagar a memória.
Sonhos que fui desfazendo
de madrugada, escondidos
nas pálpebras da minha timidez.
Talvez o mar salgado
me devolva hoje
ao Sol da tarde.
E as agulhas secas de pinheiro
na berma dos passeios,
me dêem a alegria distante
da minha juventude feliz.
Pode ser que a luz me ofusque.
E eu cerre os olhos de prazer.
sábado, 13 de abril de 2013
quarta-feira, 10 de abril de 2013
O Famoso Caderno. Maria do Rosário Pedreira.
Hoje podes deitar-te na minha cama
e contar-me mentiras - dizer, não sei,
que o amor tem a forma da minha mão
ou que os meus beijos são perguntas que
não queres que ninguém te faça senão
eu; que as flores bordadas na dobra do
meu lençol são de jardins perfeitos que
antes só existiam nos teus sonhos; e que
na curva dos meus braços as horas são
mais pequenas do que uma voz que no
escuro se apagasse. Hoje podes rasgar
cidades no mapa do meu corpo e
inventar que descobriste um continente
novo - uma pátria solar onde gostavas
de morrer e ter nascido. Eu não me
importo com nada do que me digas esta
noite: amo-te, e amar-te é reconhecer o
pólen excessivo das corolas, o seu vermelho
impossível. Mas amanhã, antes de partires,
não digas nada, não me beijes nas costas
do meu sono. Leva-me contigo para sempre
ou deixa-me dormir - eu não quero ser
apenas um nome deitado entre outros nomes.
e contar-me mentiras - dizer, não sei,
que o amor tem a forma da minha mão
ou que os meus beijos são perguntas que
não queres que ninguém te faça senão
eu; que as flores bordadas na dobra do
meu lençol são de jardins perfeitos que
antes só existiam nos teus sonhos; e que
na curva dos meus braços as horas são
mais pequenas do que uma voz que no
escuro se apagasse. Hoje podes rasgar
cidades no mapa do meu corpo e
inventar que descobriste um continente
novo - uma pátria solar onde gostavas
de morrer e ter nascido. Eu não me
importo com nada do que me digas esta
noite: amo-te, e amar-te é reconhecer o
pólen excessivo das corolas, o seu vermelho
impossível. Mas amanhã, antes de partires,
não digas nada, não me beijes nas costas
do meu sono. Leva-me contigo para sempre
ou deixa-me dormir - eu não quero ser
apenas um nome deitado entre outros nomes.
Fábrica de Escrita.

sexta-feira, 29 de março de 2013
O Famoso Caderno. Se Fosse Comigo, Eu Não Diria.
Estradas arborizadas,
duma qualquer aldeia
da China.
Porque as plumas,
sanguíneo entardecer,
são lágrimas secas e a
sombra
em pedacinhos.
Caminhos ao abandono
e a fosforescência
açucarada
do seu espectro
aceso.
Porque eu bebi
a água,
porque eu nadei
nessa luz.
Não tem explicação.
duma qualquer aldeia
da China.
Porque as plumas,
sanguíneo entardecer,
são lágrimas secas e a
sombra
em pedacinhos.
Caminhos ao abandono
e a fosforescência
açucarada
do seu espectro
aceso.
Porque eu bebi
a água,
porque eu nadei
nessa luz.
Não tem explicação.
quinta-feira, 28 de março de 2013
O Famoso Caderno. Tarde de Chuva.
Como a chuva que cai.
Dia cinzento
e tudo molhado.
Os escorregas.
As escadas-
-rolantes.
O beijo,
virado do avesso.
Dia cinzento
e tudo molhado.
Os escorregas.
As escadas-
-rolantes.
O beijo,
virado do avesso.
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