domingo, 21 de outubro de 2012

O Famoso Caderno. António Ramos Rosa.

E assim o tempo é a distância consumada
em estação serena de lenta liberdade
em que a juventude amadurece voltando ao seu princípio

António Ramos Rosa, in O Princípio da Água, p. 12.

In, António Ramos Rosa, facebook.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O Famoso Caderno. Noite.

Esta noite pensei tanto em ti.

Esta noite vigiei o sono dos corvos
e o sobrevoo de pequenas corujas,
em volta dos candeeiros, na rua deserta.

As asas aconchegadas do desejo,
nos campanários sombrios
das igrejas, na cidade adormecida.

Esta noite soube que te adorava
e as minhas pálpebras repetiram
o primeiro levantar das águias
sobre as florestas, ao nascer do dia.

Eras tu que te espreguiçavas
nos meus olhos cansados.

Esta noite eu soube que te amava.

St Vincent - "Actor Out Of Work"


sábado, 13 de outubro de 2012

O Famoso Caderno. Simbolismo.

É por saber que vives agora num mar revolto, como o Mar Cantábrico, vencendo as vagas alterosas que se abatem sobre a tua frágil jangada, os olhos abertos para a tempestade que cai sobre o teu país e os braços movendo-se fortes para que consigas rasgar os dias sombrios, até poderes encontrar ventos suaves e a calmaria que rodeia ilhas de sonho em arquipélagos de paz,

é por saber que podes ainda sobreviver aos titãs e outros monstros marinhos, que habitam as grutas cinzentas dessas águas traiçoeiras que nenhuma ave sobrevoa e,
com o teu exemplo,
podes acalmar a vida turbulenta de quem, na distância, tem os olhos postos em ti, algures nesta terra amaldiçoada que tanto amas,

é por saber ser eminente o naufrágio da balsa leve no rodopio da água,

que eu saio para a rua, entro no automóvel e atravesso a auto-estrada em grande velocidade, numa viagem de horas, sem rumo aparente.

Eu quero voar nas asas do teu nome.

Eu quero que o céu azul seja o teu rosto.

Eu quero que o meu país seja o teu sorriso mais bonito.

E tu a debateres-te, em fúria, contra a noite escura e a tormenta em que todos vivemos.

Acelero ainda mais e vou em linha recta,
eu quero mergulhar na humidade dos teus olhos, quero descobrir o paraíso nos teus olhos,
na pupila doce dos teus olhos.

Um dia,
eu sei que um dia te vou encontrar de novo por aqui.