quinta-feira, 11 de outubro de 2012
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
O Famoso Caderno. Fotografia.
Penso, penso no mar e na areia branca, tenho uma fotografia bonita que os mostra, depois vês, estás tu sentada, como eu agora.
Uma fotografia prende o tempo, não mostra que ficas triste, como eu fico, sabes,
por olhar o mar.
Mas, como tu também, deixo correr as horas,
vê-se, sabes,
vê-se pela ondulação da água quando vem,
tão serena depois, namorar a areia, onde estou e tu estás,
sentados só, só sentados, a pensar e a ver
o mar.
Estou eu
e tu também
e isso inspira-me.
Que tu estejas a olhar o mar e eu, assim quieto,
a olhar para ti,
agora.
Tenho uma fotografia,
sabes?
Uma fotografia prende o tempo, não mostra que ficas triste, como eu fico, sabes,
por olhar o mar.
Mas, como tu também, deixo correr as horas,
vê-se, sabes,
vê-se pela ondulação da água quando vem,
tão serena depois, namorar a areia, onde estou e tu estás,
sentados só, só sentados, a pensar e a ver
o mar.
Estou eu
e tu também
e isso inspira-me.
Que tu estejas a olhar o mar e eu, assim quieto,
a olhar para ti,
agora.
Tenho uma fotografia,
sabes?
terça-feira, 9 de outubro de 2012
O Famoso Caderno. Fado Vadio.
Dizes também palavras infelizes
que tornam feio o teu rosto
e sujam as telas que pintas
por teimosia, para te afirmares.
Encostas-te a fatos-de-macaco
e regurgitas vinho tinto
aos berros, em esgares
de miséria e sofrimento.
Chegam mais automóveis
e os pneus chiam como cordas
de guitarras frágeis, de fado vadio.
Pintas mais quadros com óleos
de motor e lubrificantes e já
os levas em exposição
para bares de bairro, onde se
juntam muitos lá da oficina.
Não se calam toda a noite
as vozes ordinárias que
te admiram os pés e a curva
deformada da sola das sandálias.
E cantam, madrugada fora,
sujeiras, blasfémias e elogios
e riem gargalhadas sonoras
feitas de carrascão e lascivia barata.
Até os quadros descaem
com tanta desordem.
que tornam feio o teu rosto
e sujam as telas que pintas
por teimosia, para te afirmares.
Encostas-te a fatos-de-macaco
e regurgitas vinho tinto
aos berros, em esgares
de miséria e sofrimento.
Chegam mais automóveis
e os pneus chiam como cordas
de guitarras frágeis, de fado vadio.
Pintas mais quadros com óleos
de motor e lubrificantes e já
os levas em exposição
para bares de bairro, onde se
juntam muitos lá da oficina.
Não se calam toda a noite
as vozes ordinárias que
te admiram os pés e a curva
deformada da sola das sandálias.
E cantam, madrugada fora,
sujeiras, blasfémias e elogios
e riem gargalhadas sonoras
feitas de carrascão e lascivia barata.
Até os quadros descaem
com tanta desordem.
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
O Famoso Caderno. Manhã.
Amei-te com texturas de nascente
e rendas de espuma.
Um vulcão aceso a respirar
na tua face.
Amei-te com força,
mas sem fúria,
fiz pétalas de rosa
na tua pele salgada.
Vejo hoje a areia molhada
que a vazante libertou,
a praia deserta,
o céu limpo.
O ar sedento
da tua ausência.
E esqueço o teu nome,
por já não ser só teu.
Deixo-o perdido na noite,
quando de novo se faz manhã.
e rendas de espuma.
Um vulcão aceso a respirar
na tua face.
Amei-te com força,
mas sem fúria,
fiz pétalas de rosa
na tua pele salgada.
Vejo hoje a areia molhada
que a vazante libertou,
a praia deserta,
o céu limpo.
O ar sedento
da tua ausência.
E esqueço o teu nome,
por já não ser só teu.
Deixo-o perdido na noite,
quando de novo se faz manhã.
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
O Famoso Caderno. Tu Deixaste A Praia Ao Entardecer...

Fotografia: Na praia da Nazaré em 1955, por © Henri Cartier-Bresson (22 de Agosto de 1908 - 3 de Agosto de 2004). in, Quem Lê Sophia de Mello Breyner Andresen.
Subscrever:
Mensagens (Atom)