terça-feira, 9 de outubro de 2012

O Famoso Caderno. Fado Vadio.

Dizes também palavras infelizes
que tornam feio o teu rosto
e sujam as telas que pintas
por teimosia, para te afirmares.

Encostas-te a fatos-de-macaco
e regurgitas vinho tinto
aos berros, em esgares
de miséria e sofrimento.

Chegam mais automóveis
e os pneus chiam como cordas
de guitarras frágeis, de fado vadio.

Pintas mais quadros com óleos
de motor e lubrificantes e já
os levas em exposição
para bares de bairro, onde se
juntam muitos lá da oficina.

Não se calam toda a noite
as vozes ordinárias que
te admiram os pés e a curva
deformada da sola das sandálias.

E cantam, madrugada fora,
sujeiras, blasfémias e elogios
e riem gargalhadas sonoras
feitas de carrascão e lascivia barata.

Até os quadros descaem
com tanta desordem.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O Famoso Caderno. Manhã.

Amei-te com texturas de nascente
e rendas de espuma.

Um vulcão aceso a respirar
na tua face.

Amei-te com força,
mas sem fúria,
fiz pétalas de rosa
na tua pele salgada.

Vejo hoje a areia molhada
que a vazante libertou,
a praia deserta,
o céu limpo.

O ar sedento
da tua ausência.

E esqueço o teu nome,
por já não ser só teu.

Deixo-o perdido na noite,
quando de novo se faz manhã.


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O Famoso Caderno. In the Realm of the Senses Trailer. Nagisa Oshima.


O Famoso Caderno. Tu Deixaste A Praia Ao Entardecer...



Fotografia: Na praia da Nazaré em 1955, por © Henri Cartier-Bresson (22 de Agosto de 1908 - 3 de Agosto de 2004). in, Quem Lê Sophia de Mello Breyner Andresen.

O Famoso Caderno. Azul.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

terça-feira, 2 de outubro de 2012

O Famoso Caderno. O Meu Abraço Beija-te.

Deixa-me abraçar-te agora,
enquanto sorris
e os teus olhos revelam
tanta inocência.

O ar que respiras
e me envolve
é a água
que preciso
para viver.

Deixa-me flutuar
nos teus olhos
de menina.

E abraçar-te.