quarta-feira, 3 de outubro de 2012

terça-feira, 2 de outubro de 2012

O Famoso Caderno. O Meu Abraço Beija-te.

Deixa-me abraçar-te agora,
enquanto sorris
e os teus olhos revelam
tanta inocência.

O ar que respiras
e me envolve
é a água
que preciso
para viver.

Deixa-me flutuar
nos teus olhos
de menina.

E abraçar-te.

domingo, 30 de setembro de 2012

sábado, 29 de setembro de 2012

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O Famoso Caderno. O Inexplicável Universo.

Eu vejo-te assim,
como poeira imperceptível,
que brilha
no céu,
à noite.

O Grãozinho de Areia
que está na praia,
em Macau.

Vejo-te claramente
romper a escuridão
e pulsar,
pulsar,
tão em surdina,
lá muito ao longe...

Tão longe de mim,
como está a praia,
em Macau.

Luz que me envolve
de quase nada,
de silêncio
e ausência.

Grãozinho minúsculo
de Areia,
na praia
de Macau.

O Famoso Caderno. José Régio. ( para ti )

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,

(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!
 
 
s/ referência da fonte...
 

domingo, 23 de setembro de 2012

O Famoso Caderno. Miguel Torga.

SÚPLICA

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria…
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada
 
in, Homenagem ao pintor Luís Dourdil 1914-1989.