sábado, 18 de agosto de 2012

O Famoso Caderno. Que Fazer ?

Tu ainda és a luz
que me desperta.

Tu, que és longura
e vazio absoluto.

A Vida como drama.

Tu és o vulcão
que arde intenso
e me queima a boca.

A lava fria
que apaga
o meu corpo nu.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O Famoso Caderno. Marina Colasanti.

Sexta-feira.

Sexta-feira à noite
Os homens acariciam o clitóris das esposas
Com dedos molhados de saliva.
O mesmo gesto com que todos os dias
Contam dinheiro, papéis, documentos
E folheiam nas revistas
A vida dos seus ídolos.
Sexta-feira à noite
Os homens penetram suas esposas
Com tédio e pênis.
O mesmo tédio com que todos os dias
Enfiam o carro na garagem
O dedo no nariz
E metem a mão no bolso
Para coçar o saco.
Sexta-feira à noite
Os homens ressonam de borco
Enquanto as mulheres no escuro
Encaram seu destino
E sonham com o príncipe encantado.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

O Famoso Caderno. Geração.

É curioso como na minha geração lisboeta, ou por laços de família, ou por relações de amizade, toda a gente que se conhece, conhece quem a gente não conhece.
No meu próprio Mundo, valoriza-se muito este facto...

Notre amour sur le sable Michel Paje

sábado, 11 de agosto de 2012

O Famoso Caderno. Praia.


Na praia deserta, toda a noite
a espuma borbulhou, suja
de areia e algas mortas.

Inquieta-me a nobreza
deste mar imenso.

Sobressalta-me a sua
ondulação furiosa.

E a ti,
o que veio perturbar
a tua leitura distraída?

Que fragilidades pressentiste
no Mundo que te rodeia?

Que Sol veio escurecer
o teu olhar?

Em algum momento
a tua fantástica presença
adivinhou esta mágoa
na rebentação?

Com que sandálias
encheste de areia os pés?

Com a manhã chega
um mar novo e um aroma
a choco frito e batatas salgadas.

Amanhece cedo no Verão.

A que horas estás hoje?


quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O Famoso Caderno. Não Sei de Ti.

Esqueço-me de ti.

Na água que bebo,
no ar que respiro.

Esqueço-me de ti
no cigarro que fumo,
no whiskey que preparo.

Esqueço-me, ao volante,
quando subo a avenida,
sob os jacarandás
de flores roxas.

Nas esplanadas junto
ao rio, na mansidão
do seu leito azul.

Esqueço-me de ti,
quando pego nos lápis,
ou abro o cavalete.

Esqueço-me, quando
leio poesia, ou se 
no silêncio do sofá,
sigo as notícias
do Mundo.

Esqueço-me de ti
debaixo do chuveiro.

E nos lençóis, quando
perdido de sono,
não me lembro
mais de ti.