sábado, 11 de agosto de 2012

O Famoso Caderno. Praia.


Na praia deserta, toda a noite
a espuma borbulhou, suja
de areia e algas mortas.

Inquieta-me a nobreza
deste mar imenso.

Sobressalta-me a sua
ondulação furiosa.

E a ti,
o que veio perturbar
a tua leitura distraída?

Que fragilidades pressentiste
no Mundo que te rodeia?

Que Sol veio escurecer
o teu olhar?

Em algum momento
a tua fantástica presença
adivinhou esta mágoa
na rebentação?

Com que sandálias
encheste de areia os pés?

Com a manhã chega
um mar novo e um aroma
a choco frito e batatas salgadas.

Amanhece cedo no Verão.

A que horas estás hoje?


quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O Famoso Caderno. Não Sei de Ti.

Esqueço-me de ti.

Na água que bebo,
no ar que respiro.

Esqueço-me de ti
no cigarro que fumo,
no whiskey que preparo.

Esqueço-me, ao volante,
quando subo a avenida,
sob os jacarandás
de flores roxas.

Nas esplanadas junto
ao rio, na mansidão
do seu leito azul.

Esqueço-me de ti,
quando pego nos lápis,
ou abro o cavalete.

Esqueço-me, quando
leio poesia, ou se 
no silêncio do sofá,
sigo as notícias
do Mundo.

Esqueço-me de ti
debaixo do chuveiro.

E nos lençóis, quando
perdido de sono,
não me lembro
mais de ti.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O Famoso Caderno. O Olhar.

O Famoso Caderno. Rotina.

O segredo afinal
está na conjunção
destes dois olhares:

aquele com que vejo
e um outro ainda,
simultâneo,
com que me vejo
a olhar.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

O Famoso Caderno. Manhã.

Límpida manhã de Verão,
manhã lisa e fresca.

Manhã sumarenta,
como são os frutos
que agora amadurecem.

Água pura,
ou manto de luz serena,
o olhar distante.

Cristal que tudo aclara,
tecido macio de cores
tão suaves,
doce chilrear
de pequenas aves.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012