terça-feira, 31 de julho de 2012
segunda-feira, 30 de julho de 2012
O Famoso Caderno. Estúpida Interrupção.
Cai o silêncio sobre a madrugada,
envolto nos panejamentos carmim
do quarto fechado e escuro de breu.
Acendo uma palavra na boca inútil,
uma só palavra, depois outra e outra
e nelas retenho o sabor da água do mar
e a frescura do sonho, sonho a sonho.
Palavra a palavra, escondo o teu nome
na boca deserta. Nunca mais os dias
foram assim, abertos e lisos como...
envolto nos panejamentos carmim
do quarto fechado e escuro de breu.
Acendo uma palavra na boca inútil,
uma só palavra, depois outra e outra
e nelas retenho o sabor da água do mar
e a frescura do sonho, sonho a sonho.
Palavra a palavra, escondo o teu nome
na boca deserta. Nunca mais os dias
foram assim, abertos e lisos como...
sábado, 28 de julho de 2012
O Famoso Caderno. Maria João Saraiva.
MARIA JOÃO SARAIVA, in A DOR QUE ME DEIXASTE (Trilhos ed., 2ª ed, 2011)
IV
Tu foste chegando e tocando, sempre devagar e o corpo foi cedendo, foi-te deixando entrar e embalou-se na música da tua presença feita de gestos, palavras e silên...cios. E eram as tuas mãos que iam deixando escorrer afectos para dentro de mim, eram as tuas mãos que nos iam ligando e , a pouco e pouco, elas tinham mergulhado na minha pele. Elas falavam, diziam tanto e foram tocando silêncios; silêncios escondidos. Era a muralha a cair, sabia-o. E agora? Repô-la no lugar, não deixar que o calor e a luz entrassem para descerrar o que o breu iludia de nada, ou despir-me e deixar-me tocar, deixar-me querer e inebriar-me de cores, de cheiros, de sensações? Sentia medo, mas já estava a querer.
IV
Tu foste chegando e tocando, sempre devagar e o corpo foi cedendo, foi-te deixando entrar e embalou-se na música da tua presença feita de gestos, palavras e silên...cios. E eram as tuas mãos que iam deixando escorrer afectos para dentro de mim, eram as tuas mãos que nos iam ligando e , a pouco e pouco, elas tinham mergulhado na minha pele. Elas falavam, diziam tanto e foram tocando silêncios; silêncios escondidos. Era a muralha a cair, sabia-o. E agora? Repô-la no lugar, não deixar que o calor e a luz entrassem para descerrar o que o breu iludia de nada, ou despir-me e deixar-me tocar, deixar-me querer e inebriar-me de cores, de cheiros, de sensações? Sentia medo, mas já estava a querer.
In, Quem lê Sophia de Mello Breyner Andresen.
quinta-feira, 26 de julho de 2012
O Famoso Caderno. Um Deus Menor.
Se eu pudesse contar,
em poucas palavras,
o enredo desse pequeno
romance, que não escrevi.
A revelação, tão nítida,
que o fez terminar, para mim.
Agora, um tiro no escuro
atravessa os seus negros capítulos.
E eu, ergo-me em estátua
e deixo que o tempo
me destrua.
em poucas palavras,
o enredo desse pequeno
romance, que não escrevi.
A revelação, tão nítida,
que o fez terminar, para mim.
Agora, um tiro no escuro
atravessa os seus negros capítulos.
E eu, ergo-me em estátua
e deixo que o tempo
me destrua.
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