quinta-feira, 5 de julho de 2012

O Famoso Caderno. Energia Solar.

Vive do húmus
da Terra
o meu amor
por ti.

Acordo
subitamente
a meio da noite
para soletrar
o teu nome
com as pálpebras.

terça-feira, 3 de julho de 2012

O Famoso Caderno. Contra o Óbvio.

Uma só vez,
eu te vi,
como se fosses um anel
que se desdobrasse,
uma só vez.

A euforia que sinto
por te recordar
agora,
a tua pele
cinzenta,
os teus ombros nus
e o meu olhar,
de olhar para ti.

Outra vez,
sem o saberes,
vi o teu corpo
nas pequenas chamas
que acendi na areia,
vi o teu corpo
a ondular,
contra o mar.

Não vou olhar
para ti,
agora.

Não quero
ver o teu olhar.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

O Famoso Caderno. António José Forte.

Poema

Alguma coisa onde tu parada
fosses depois das lágrimas uma ilha
e eu chegasse para dizer-te adeus
de repente na curva duma estrada

alguma coisa onde a tua mão
escrevesse cartas para chover
e eu partisse a fumar
e o fumo fosse para se ler

alguma coisa onde tu ao norte
beijasses nos olhos os navios
e eu rasgasse o teu retrato
para vê-lo passar na direcção dos rios

alguma coisa onde tu corresses
numa rua com portas para o mar
e eu morresse
para ouvir-te sonhar

António José Forte, Uma Faca Nos Dentes, & etc, Lisboa, Fevereiro/ Março de 1983, p. 30.

O Famoso Caderno. O Grito.

 

O Acentoooo ?!....

Momus: Huge ( Off the record... )

O Famoso Caderno. António Ramos Rosa.

A MULHER A CASA

*

A casa é branca
É mais branca no silêncio
É mais branca entre as árvores

A própria cidade é branca

*

António Ramos Rosa, Antologia Poética, Selecção, Prefácio e Bibliografia de Ana Paula Coutinho Mendes, Voz Inicial 1960, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2001, p. 57.

domingo, 1 de julho de 2012