Vive do húmus
da Terra
o meu amor
por ti.
Acordo
subitamente
a meio da noite
para soletrar
o teu nome
com as pálpebras.
quinta-feira, 5 de julho de 2012
terça-feira, 3 de julho de 2012
O Famoso Caderno. Contra o Óbvio.
Uma só vez,
eu te vi,
como se fosses um anel
que se desdobrasse,
uma só vez.
A euforia que sinto
por te recordar
agora,
a tua pele
cinzenta,
os teus ombros nus
e o meu olhar,
de olhar para ti.
Outra vez,
sem o saberes,
vi o teu corpo
nas pequenas chamas
que acendi na areia,
vi o teu corpo
a ondular,
contra o mar.
Não vou olhar
para ti,
agora.
Não quero
ver o teu olhar.
eu te vi,
como se fosses um anel
que se desdobrasse,
uma só vez.
A euforia que sinto
por te recordar
agora,
a tua pele
cinzenta,
os teus ombros nus
e o meu olhar,
de olhar para ti.
Outra vez,
sem o saberes,
vi o teu corpo
nas pequenas chamas
que acendi na areia,
vi o teu corpo
a ondular,
contra o mar.
Não vou olhar
para ti,
agora.
Não quero
ver o teu olhar.
segunda-feira, 2 de julho de 2012
O Famoso Caderno. António José Forte.
Poema
Alguma coisa onde tu parada
fosses depois das lágrimas uma ilha
e eu chegasse para dizer-te adeus
de repente na curva duma estrada
alguma coisa onde a tua mão
escrevesse cartas para chover
e eu partisse a fumar
e o fumo fosse para se ler
alguma coisa onde tu ao norte
beijasses nos olhos os navios
e eu rasgasse o teu retrato
para vê-lo passar na direcção dos rios
alguma coisa onde tu corresses
numa rua com portas para o mar
e eu morresse
para ouvir-te sonhar
António José Forte, Uma Faca Nos Dentes, & etc, Lisboa, Fevereiro/ Março de 1983, p. 30.
Alguma coisa onde tu parada
fosses depois das lágrimas uma ilha
e eu chegasse para dizer-te adeus
de repente na curva duma estrada
alguma coisa onde a tua mão
escrevesse cartas para chover
e eu partisse a fumar
e o fumo fosse para se ler
alguma coisa onde tu ao norte
beijasses nos olhos os navios
e eu rasgasse o teu retrato
para vê-lo passar na direcção dos rios
alguma coisa onde tu corresses
numa rua com portas para o mar
e eu morresse
para ouvir-te sonhar
António José Forte, Uma Faca Nos Dentes, & etc, Lisboa, Fevereiro/ Março de 1983, p. 30.
O Famoso Caderno. António Ramos Rosa.
A MULHER A CASA
*
A casa é branca
É mais branca no silêncio
É mais branca entre as árvores
A própria cidade é branca
*
António Ramos Rosa, Antologia Poética, Selecção, Prefácio e Bibliografia de Ana Paula Coutinho Mendes, Voz Inicial 1960, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2001, p. 57.
*
A casa é branca
É mais branca no silêncio
É mais branca entre as árvores
A própria cidade é branca
*
António Ramos Rosa, Antologia Poética, Selecção, Prefácio e Bibliografia de Ana Paula Coutinho Mendes, Voz Inicial 1960, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2001, p. 57.
domingo, 1 de julho de 2012
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