domingo, 1 de julho de 2012
sábado, 30 de junho de 2012
sexta-feira, 29 de junho de 2012
O Famoso Caderno. Mia Couto.
A Demora
O amor nos condena:
demoras
mesmo quando chegas antes.
Porque não é no tempo que eu te espero.
Espero-te antes de haver vida
e és tu quem faz nascer os dias.
Quando chegas
já não sou senão saudade
e as flores
tombam-me dos braços
para dar cor ao chão em que te ergues.
Perdido o lugar
em que te aguardo,
só me resta água no lábio
para aplacar a tua sede.
Envelhecida a palavra,
tomo a lua por minha boca
e a noite, já sem voz
se vai despindo em ti.
O teu vestido tomba
e é uma nuvem.
O teu corpo se deita no meu,
um rio se vai aguando até ser mar.
Mia Couto, in " idades cidades divindades"
in Citador.
O amor nos condena:
demoras
mesmo quando chegas antes.
Porque não é no tempo que eu te espero.
Espero-te antes de haver vida
e és tu quem faz nascer os dias.
Quando chegas
já não sou senão saudade
e as flores
tombam-me dos braços
para dar cor ao chão em que te ergues.
Perdido o lugar
em que te aguardo,
só me resta água no lábio
para aplacar a tua sede.
Envelhecida a palavra,
tomo a lua por minha boca
e a noite, já sem voz
se vai despindo em ti.
O teu vestido tomba
e é uma nuvem.
O teu corpo se deita no meu,
um rio se vai aguando até ser mar.
Mia Couto, in " idades cidades divindades"
in Citador.
O Famoso Caderno. Sabedoria de Velho Bode.
Folhas caídas para sempre
e uma lucidez tremenda,
são prenúncio de tempestade
e do tresmalhar das abelhas.
Não se trata assim uma senhora.
e uma lucidez tremenda,
são prenúncio de tempestade
e do tresmalhar das abelhas.
Não se trata assim uma senhora.
quinta-feira, 28 de junho de 2012
O Famoso Caderno. Ana Luísa Amaral.
SEQUÊNCIA EM NOTA MAIOR QUALQUER
II
Hoje podia vir o que viesse:
e que fosse poesia
ou a noite selvagem na
garganta,
podia vir o que viesse
até cidades súbitas
no céu
um teatro qualquer a desfazer-se
e estrelas, o que fosse
era bem-vindo hoje
Ana Luísa Amaral, Minha Senhora de Quê, Quetzal Editores, Lisboa, Maio de 1999, pp.89 e 90.
II
Hoje podia vir o que viesse:
e que fosse poesia
ou a noite selvagem na
garganta,
podia vir o que viesse
até cidades súbitas
no céu
um teatro qualquer a desfazer-se
e estrelas, o que fosse
era bem-vindo hoje
Ana Luísa Amaral, Minha Senhora de Quê, Quetzal Editores, Lisboa, Maio de 1999, pp.89 e 90.
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