sexta-feira, 29 de junho de 2012

O Famoso Caderno. Sabedoria de Velho Bode.

Folhas caídas para sempre
e uma lucidez tremenda,
são prenúncio de tempestade
e do tresmalhar das abelhas.

Não se trata assim uma senhora.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

O Famoso Caderno. Ana Luísa Amaral.

SEQUÊNCIA EM NOTA MAIOR QUALQUER

II

Hoje podia vir o que viesse:
e que fosse poesia
ou a noite selvagem na
garganta,
podia vir o que viesse
até cidades súbitas
no céu
um teatro qualquer a desfazer-se
e estrelas, o que fosse
era bem-vindo hoje

Ana Luísa Amaral, Minha Senhora de Quê, Quetzal Editores, Lisboa, Maio de 1999, pp.89 e 90.

Chicks on Speed We don't play Guitars

O Famoso Caderno. José Augusto Seabra.

Marítimos

*

Uma toalha de mar
para enxugar-te
o olhar.

*

José Augusto Seabra, id, ibidem, p.35

O Famoso Caderno. José Augusto Seabra.

Políptico da alma

" Na alma uma só ferida
faz na vida mil sinais "
( Camões )

II

Recomeçar apenas,
emergir-me
à superfície calma.
Silenciar
este esforço de dentro:
debruçar-me
para fora da alma.

José Augusto Seabra, Os sinais e a Origem, Portugália Editora, Outubro de 1967, p.55.

O Famoso Caderno. Fátima Maldonado.

Decadência

Indecente a palavra
cerrou a emoção,
em muitas vidas
aprende-se tão pouco.
No fim são quatro pérolas
numa taça de vidro.

Fátima Maldonado, Cadeias de Transmissão, Frenesi, Dezembro 1998, p.212.

quarta-feira, 27 de junho de 2012