domingo, 24 de junho de 2012

O Famoso Caderno. Sem Comentários.

Os borrachos no ninho,
quando esperam o alimento

e os veados, balindo forte
na manhã de nevoeiro,

ou as baleias, com o seu silvo
que atravessa os oceanos.

Os pescadores, sozinhos
nos botes de pesca

e os comandantes, chamando
a torre de controle
dos aeroportos próximos.

Os cantores pop,
nas tardes de Verão.

E nas piscinas,
as crianças querendo
atenção
para o mergulho
atabalhoado.

Os lobos que uivam
para a lua cheia
e as gatas,
as gatas,
nas traseiras envelhecidas
dos prédios mais antigos.

A última voz,
nem eu sei,
o último apelo
e a tarde vazia
de qualquer outro
sentido.

O leitor do jornal,
sentado calmamente
na esplanada,
indiferente à rua,
nem sei se à notícia,
que não sei sequer
se lê.

O Famoso Caderno. Outra Vez O Silêncio.

Outra vez a nudez
do silêncio.

A última letra
inaudível,
no fio vazio
do telefone.

O arrepio
da solidão.

O amigo
de ninguém.

sexta-feira, 15 de junho de 2012