sábado, 16 de junho de 2012

sexta-feira, 15 de junho de 2012

quarta-feira, 13 de junho de 2012

O Famoso Caderno. Universo.

Recolho os traços do teu rosto
na minha boca
e beijo o céu na tua pele
e no calor dos teus olhos.

Doce me reclino em ti,
como se um sopro de ar
te detivesse e trouxesse
de volta ao meu abraço.

Alisas, amor, o meu desejo
na textura fina e lisa
do teu corpo.

E eu amo-te assim,
renascendo
a cada momento
da ferida aberta
que em ti teço.

E na penumbra,
ofegante,
incansável,
em ti eu absorvo
a terra toda
e o mar revolto
e cego, de tão
escuro.

O Famoso Caderno. Dor.

Esses olhos não são os meus,
nem a mão que te envolve
o ombro, é a minha mão.

Eu tenho os olhos abertos
e fixos no tecto da sala.

E trago as minhas mãos
fechadas e inertes, sem vida.

Há muito tempo já
eu pareço adormecido
num vulcão aceso.

terça-feira, 12 de junho de 2012

O Famoso Caderno. Eugénio de Andrade.

Espera

Horas, horas sem fim,
pesadas, fundas,
esperarei por ti
até que todas as coisas sejam mudas.

Até que uma pedra irrompa
e floresça.
Até que um pássaro me saia da garganta
e no silêncio desapareça.

Eugénio de Andrade, Trinta Poemas, O Sal da Língua Precedido de Trinta poemas, APE, 2001, Bibliotex, p.8.