domingo, 10 de junho de 2012

O Famoso Caderno. Saudade.

Ausente e longe
de ti.

Não vou esquecer-te
nunca.

Tão presente em mim,
como estiveste
um dia.

sábado, 9 de junho de 2012

O Famoso Caderno. Atracado ao Cais.

Não gosto do " pimba ",
nem nunca,
em circunstância alguma,
eu gostei.

Não gosto de corações vermelhos,
de fundidos,
de frases feitas,
não gosto,
nem vou gostar.

De falta de acentos, não gosto,
de erros de ortografia, muito menos,
de " grandes malucos ",
ei, ei,
o que aí vai...

É uma linguagem
que imita adolescentes,
que repete erros
que eu não gosto.

É um falso amor
que desponta,
o amor alfa,
o amor pateta
e eu detesto.

Não gosto de garbo,
nem da mentira,
não gosto de nada disso,
nem irei gostar.

Não gosto mesmo.

Detesto,
claramente.

Não quero saber se o amor começa
quando transborda,
nem se há amor,
ou irá haver.

Desespero com isso
e sempre foi assim.

Não irei gostar de nada disso,
não irei nunca,
nem de nada mais.

Não gosto,
não vou gostar,
nem nunca gostei.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

O Famoso Caderno. Do pé para a mão.

Não escondas os olhos
na nudez dos braços.

Os gatos há muito sonharam
a tua fragilidade, no abandono
diário do seu sono quieto.

Não mintas sobre o sobressalto
dos teus dias tão iguais.

Há lobos que uivam
não se sabe onde.

Talvez os teus olhos
se abram para a sua sede.

E o teu corpo
te peça a água límpida
dos regatos.

Não deixes que os peixes
te suguem o desenho dos pés.

Nem isso vale a pena,
de tão banal.

Ou que mãos,
muito oportunas,
consumam a linha
cruzada do teu desejo.

Não adormeças
na solidão escondida.

Nem te protejas
em mais ninguém.

Há aves que esvoaçam
nos teus olhos cerrados.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

O Famoso Caderno. Arrependimento.

Não sei porque ainda voam
as aves nesta manhã azul.

E se ouve o seu chilrear
na nudez da tarde.

Agitam-se ao vento
as folhas das árvores.

E eu cerro os olhos,
de desalento e abandono.

Como quem esconde
um coração negro
no peito ferido.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

O Famoso Caderno. Joaquim Pessoa.

XXIII

Estou mais perto de ti porque te amo.
Os meus beijos nascem já na tua boca.
Não poderia escrever teu nome com palavras.
Tu estás em toda a parte e enlouqueces-me.

Canto os teus olhos mas não sei do teu rosto.
Quero a tua boca aberta em minha boca.
E amo-te como se nunca te tivesse amado
porque tu estás em mim mas ausente de mim.

Nesta noite sei apenas dos teus gestos
e procuro o teu corpo para além dos meus dedos.
Trago as mãos distantes do teu peito.

Sim, tu estás em toda a parte. Em toda a parte.
Tão por dentro de mim. Tão ausente de mim.
E eu estou perto de ti porque te amo.

Os Olhos de Isa, in, Joaquim Pessoa, Amor Combate, Litexa, 1985, p.318.

sábado, 2 de junho de 2012

segunda-feira, 28 de maio de 2012

O Famoso Caderno. Água.

Ah, os sonhos grandes,
dão-nos vida.

Esses sonhos,
só.

Acesos em nós
como água que jorra
transparente.

Enormes,
imensos sempre.