Os olhos piscos,
a barba que desponta
e se espeta na cara,
o rosto redondo,
o sorriso apalhaçado.
Os pelos da mão
sapuda,
não.
E esses dedos,
que parecem pés...
O silêncio
fictício,
a encenação
estúpida.
quarta-feira, 16 de maio de 2012
domingo, 13 de maio de 2012
O Famoso Caderno. Assim, nunca...
Nem sei se é amor
o que tu sentes...
O amor enche na vazante,
descobre um filão
de quartzo frio
nos areais molhados
e risca-se na lixa
dos erros
e nos bagos
de uva.
Desenha e alisa
as pedras
e as conchas.
O amor é mais ainda,
indizível como
um segredo,
que ninguém
escutou,
nunca.
Mas não vai bem
com esses caracóis,
o abdómen preso,
a barba,
o desenho velho
de um perfil
já antigo.
Imagino que o amor
volteia sobre nuvens
e não vem...
Ficamos a olhar
o céu
e não,
não o vemos
nunca.
O amor não se vê,
nem se sabe.
E o que se sente?
Com esses caracóis, nunca.
É um vulto que
esconde os pés
cansados
e brancos,
nas sandálias...
Não está aí,
o amor,
não está
aí.
o que tu sentes...
O amor enche na vazante,
descobre um filão
de quartzo frio
nos areais molhados
e risca-se na lixa
dos erros
e nos bagos
de uva.
Desenha e alisa
as pedras
e as conchas.
O amor é mais ainda,
indizível como
um segredo,
que ninguém
escutou,
nunca.
Mas não vai bem
com esses caracóis,
o abdómen preso,
a barba,
o desenho velho
de um perfil
já antigo.
Imagino que o amor
volteia sobre nuvens
e não vem...
Ficamos a olhar
o céu
e não,
não o vemos
nunca.
O amor não se vê,
nem se sabe.
E o que se sente?
Com esses caracóis, nunca.
É um vulto que
esconde os pés
cansados
e brancos,
nas sandálias...
Não está aí,
o amor,
não está
aí.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
quarta-feira, 9 de maio de 2012
O Famoso Caderno. Desânimo. 3.
Já não quero ver gaivotas
a pousar no convés branco dos navios.
Não quero sentir nunca mais,
a humidade dos rolos de espuma,
da água que cai de grandes alturas.
Nem ouvir a música que subia
dessas cascatas de emoções,
quando me recordava de nós,
só por dizerem o teu nome.
O teu sorriso fechou-se.
E as tuas mãos já não abrem
gestos de ternura para mim.
Agora vivo de não te querer.
E ainda bem que não sabes,
nem me vês.
Sou capaz de não reparar,
nem mesmo no avesso
de ti própria.
Ah, os navios, quando anoitece
no porto de Cantão...
a pousar no convés branco dos navios.
Não quero sentir nunca mais,
a humidade dos rolos de espuma,
da água que cai de grandes alturas.
Nem ouvir a música que subia
dessas cascatas de emoções,
quando me recordava de nós,
só por dizerem o teu nome.
O teu sorriso fechou-se.
E as tuas mãos já não abrem
gestos de ternura para mim.
Agora vivo de não te querer.
E ainda bem que não sabes,
nem me vês.
Sou capaz de não reparar,
nem mesmo no avesso
de ti própria.
Ah, os navios, quando anoitece
no porto de Cantão...
segunda-feira, 7 de maio de 2012
O Famoso Caderno. Silva Pinto.
Silva
Pinto
Crítico literário, ensaísta, dramaturgo e romancista português, da segunda metade do século XIX, nascido a 14 de abril de 1848, em Lisboa, e falecido a 4 de novembro de 1911, na mesma cidade. Foi um dos principais doutrinadores do Realismo-Naturalismo, privilegiando a estética de Balzac, de cuja obra foi tradutor e grande admirador, e a crítica de Gustavo Planche.Depois de uma passagem pelo colégio de jesuítas de Campolide, começa a trabalhar como ajudante de despachante de alfândega. A partir de 1872, dedica-se ao jornalismo, estreando-se como colaborador no jornal O Trabalho e fundando, juntamente com Magalhães Lima, Gomes Leal, Guilherme de Azevedo e Luciano Cordeiro, a revista literária O Espetro de Juvenal. Ao longo da sua vida, deixará uma imensa colaboração dispersa por periódicos como O Ocidente, Jornal da Tarde, A Atualidade, A Voz do Povo, Revista do Norte e Revista Literária, parte da qual foi posteriormente recolhida nos três volumes dos Combates e Críticas. Em Espanha, combate ao lado dos republicanos contra os carlistas. Depois de uma estada de dois anos no Brasil, regressa a Portugal. Em 1887, recolhe os poemas de Cesário Verde, organizando a edição do seu livro póstumo, que prefaciou e anotou. A partir de 1889, dedica cada vez mais a sua atenção à obra de Camilo, publicando a correspondência mantida com o escritor.
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O Famoso Caderno. Florbela Espanca sobre António Nobre.
" ...............................................................................
Eu confesso que em matéria de versos o único que me faz chorar, o único que é para mim Poeta, é António Nobre. Não é desdenhar o resto, pois sei que temos adoráveis poetas, mas... o Anto é o único que eu sinto e por isso é o único que eu amo.
------------------------------------------------------------- "
Florbela Espanca, Obras Completas, Volume V, Cartas 1906-1922, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1986, " Minha querida Júlia ", s/ data, p.177.
Eu confesso que em matéria de versos o único que me faz chorar, o único que é para mim Poeta, é António Nobre. Não é desdenhar o resto, pois sei que temos adoráveis poetas, mas... o Anto é o único que eu sinto e por isso é o único que eu amo.
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Florbela Espanca, Obras Completas, Volume V, Cartas 1906-1922, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1986, " Minha querida Júlia ", s/ data, p.177.
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