terça-feira, 1 de maio de 2012
O Famoso Caderno. Desânimo 2.
São artistas que
revelam uma enorme
falta de gosto...
Detesto
a forma atabalhoada
que põem em tudo
o que fazem.
São brejeiros
quando brincam.
" Malandrecos "
uns com os outros.
Beijam-se
e amam-se,
porque sim.
Acabam controlados
pelos mais
exibicionistas.
Parece que não
se importam
com o que dizem.
Mas levar-se-ão
a sério
uns aos outros?
segunda-feira, 30 de abril de 2012
O Famoso Caderno. Desânimo 1.
Desconfio tanto
desses artistas
que dão erros
de ortografia...
Caem tão depressa
na presunção...
desses artistas
que dão erros
de ortografia...
Caem tão depressa
na presunção...
domingo, 29 de abril de 2012
O Famoso Caderno. Mar Alto.
Eu vi um espadarte
ser içado de manhã
das águas profundas
do oceano azul.
Preso por um anzol,
o enorme peixe
contorcia-se contra
o vazio do céu.
Uma linha tensa
prendia-o
à irremediável
morte.
Sequei a garganta
no sal cintilante
do mar alto.
Nunca mais
pude esquecer
esse domingo
de manhã.
Nem mesmo
agora,
em que as ondas
vêm calmamente
namorar a praia.
E a luz
tão forte,
parece apenas
acinzentar
o mar.
ser içado de manhã
das águas profundas
do oceano azul.
Preso por um anzol,
o enorme peixe
contorcia-se contra
o vazio do céu.
Uma linha tensa
prendia-o
à irremediável
morte.
Sequei a garganta
no sal cintilante
do mar alto.
Nunca mais
pude esquecer
esse domingo
de manhã.
Nem mesmo
agora,
em que as ondas
vêm calmamente
namorar a praia.
E a luz
tão forte,
parece apenas
acinzentar
o mar.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
O Famoso Caderno. Vimeiro.
O teu vulto sobressai da neblina...
E olha que as arribas são abruptas
e depois, mesmo que o não queiramos,
contorna-as o entardecer rápido e hostil
e o desconforto da praia ao lusco-fusco.
Por estas terras marcharam os soldados
que vinham perturbar a folhagem densa,
agitada pelo vento morno e o chilrear
da passarada, que ainda hoje faz a alegria
das crianças, tu lembras-te das crianças?
Das crianças que brincavam junto ao mar?
Por estas colinas sobranceiras à praia,
quanta dor, quanta aflição, se viveram
nesses tempos conturbados, para estarmos nós hoje,
calmamente, a nadar no mar, a entrar e a sair do mar,
indiferentes a tudo, desconhecidos de todos.
Tu imaginaste um império ao sol-pôr,
embora o não dissesses logo, mas eu
o pressentisse, ou só o adivinhasse,
tu lembras-te de eu to dizer? Lembras-te?
Tu recordas-te que o nosso tempo
era um Mundo a regressar do futuro?
Recordas-te, meu impossível acordar,
minha única infância, minha amiga
de sempre? Recordas-te de eu te dizer
que eras alta, mais ainda que as colinas
sobranceiras ao mar? Tu recordas-te?
Sabes hoje que estiveste junto ao mar
naquele dia antigo, em que as tropas
marcharam e nos trouxeram a dor,
esta dor que sentimos por tudo o que somos,
sem sequer saber que o somos? Tu sabes?
Sabes, meu amor, meu amor de sempre?
Eu estou aqui ainda, tão perto de ti.
E olha que as arribas são abruptas
e depois, mesmo que o não queiramos,
contorna-as o entardecer rápido e hostil
e o desconforto da praia ao lusco-fusco.
Por estas terras marcharam os soldados
que vinham perturbar a folhagem densa,
agitada pelo vento morno e o chilrear
da passarada, que ainda hoje faz a alegria
das crianças, tu lembras-te das crianças?
Das crianças que brincavam junto ao mar?
Por estas colinas sobranceiras à praia,
quanta dor, quanta aflição, se viveram
nesses tempos conturbados, para estarmos nós hoje,
calmamente, a nadar no mar, a entrar e a sair do mar,
indiferentes a tudo, desconhecidos de todos.
Tu imaginaste um império ao sol-pôr,
embora o não dissesses logo, mas eu
o pressentisse, ou só o adivinhasse,
tu lembras-te de eu to dizer? Lembras-te?
Tu recordas-te que o nosso tempo
era um Mundo a regressar do futuro?
Recordas-te, meu impossível acordar,
minha única infância, minha amiga
de sempre? Recordas-te de eu te dizer
que eras alta, mais ainda que as colinas
sobranceiras ao mar? Tu recordas-te?
Sabes hoje que estiveste junto ao mar
naquele dia antigo, em que as tropas
marcharam e nos trouxeram a dor,
esta dor que sentimos por tudo o que somos,
sem sequer saber que o somos? Tu sabes?
Sabes, meu amor, meu amor de sempre?
Eu estou aqui ainda, tão perto de ti.
domingo, 15 de abril de 2012
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