Desconfio tanto
desses artistas
que dão erros
de ortografia...
Caem tão depressa
na presunção...
segunda-feira, 30 de abril de 2012
domingo, 29 de abril de 2012
O Famoso Caderno. Mar Alto.
Eu vi um espadarte
ser içado de manhã
das águas profundas
do oceano azul.
Preso por um anzol,
o enorme peixe
contorcia-se contra
o vazio do céu.
Uma linha tensa
prendia-o
à irremediável
morte.
Sequei a garganta
no sal cintilante
do mar alto.
Nunca mais
pude esquecer
esse domingo
de manhã.
Nem mesmo
agora,
em que as ondas
vêm calmamente
namorar a praia.
E a luz
tão forte,
parece apenas
acinzentar
o mar.
ser içado de manhã
das águas profundas
do oceano azul.
Preso por um anzol,
o enorme peixe
contorcia-se contra
o vazio do céu.
Uma linha tensa
prendia-o
à irremediável
morte.
Sequei a garganta
no sal cintilante
do mar alto.
Nunca mais
pude esquecer
esse domingo
de manhã.
Nem mesmo
agora,
em que as ondas
vêm calmamente
namorar a praia.
E a luz
tão forte,
parece apenas
acinzentar
o mar.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
O Famoso Caderno. Vimeiro.
O teu vulto sobressai da neblina...
E olha que as arribas são abruptas
e depois, mesmo que o não queiramos,
contorna-as o entardecer rápido e hostil
e o desconforto da praia ao lusco-fusco.
Por estas terras marcharam os soldados
que vinham perturbar a folhagem densa,
agitada pelo vento morno e o chilrear
da passarada, que ainda hoje faz a alegria
das crianças, tu lembras-te das crianças?
Das crianças que brincavam junto ao mar?
Por estas colinas sobranceiras à praia,
quanta dor, quanta aflição, se viveram
nesses tempos conturbados, para estarmos nós hoje,
calmamente, a nadar no mar, a entrar e a sair do mar,
indiferentes a tudo, desconhecidos de todos.
Tu imaginaste um império ao sol-pôr,
embora o não dissesses logo, mas eu
o pressentisse, ou só o adivinhasse,
tu lembras-te de eu to dizer? Lembras-te?
Tu recordas-te que o nosso tempo
era um Mundo a regressar do futuro?
Recordas-te, meu impossível acordar,
minha única infância, minha amiga
de sempre? Recordas-te de eu te dizer
que eras alta, mais ainda que as colinas
sobranceiras ao mar? Tu recordas-te?
Sabes hoje que estiveste junto ao mar
naquele dia antigo, em que as tropas
marcharam e nos trouxeram a dor,
esta dor que sentimos por tudo o que somos,
sem sequer saber que o somos? Tu sabes?
Sabes, meu amor, meu amor de sempre?
Eu estou aqui ainda, tão perto de ti.
E olha que as arribas são abruptas
e depois, mesmo que o não queiramos,
contorna-as o entardecer rápido e hostil
e o desconforto da praia ao lusco-fusco.
Por estas terras marcharam os soldados
que vinham perturbar a folhagem densa,
agitada pelo vento morno e o chilrear
da passarada, que ainda hoje faz a alegria
das crianças, tu lembras-te das crianças?
Das crianças que brincavam junto ao mar?
Por estas colinas sobranceiras à praia,
quanta dor, quanta aflição, se viveram
nesses tempos conturbados, para estarmos nós hoje,
calmamente, a nadar no mar, a entrar e a sair do mar,
indiferentes a tudo, desconhecidos de todos.
Tu imaginaste um império ao sol-pôr,
embora o não dissesses logo, mas eu
o pressentisse, ou só o adivinhasse,
tu lembras-te de eu to dizer? Lembras-te?
Tu recordas-te que o nosso tempo
era um Mundo a regressar do futuro?
Recordas-te, meu impossível acordar,
minha única infância, minha amiga
de sempre? Recordas-te de eu te dizer
que eras alta, mais ainda que as colinas
sobranceiras ao mar? Tu recordas-te?
Sabes hoje que estiveste junto ao mar
naquele dia antigo, em que as tropas
marcharam e nos trouxeram a dor,
esta dor que sentimos por tudo o que somos,
sem sequer saber que o somos? Tu sabes?
Sabes, meu amor, meu amor de sempre?
Eu estou aqui ainda, tão perto de ti.
domingo, 15 de abril de 2012
sexta-feira, 13 de abril de 2012
O Famoso Caderno. À noite.
E os pulsos...
Os teus pulsos tão frágeis,
dobravam a noite, na alça
da mala abaulada.
Os ciclistas passavam,
linhas coloridas
e rápidas,
rasgavam a noite
com as suas vozes
gritadas,
incompreensíveis,
passavam o arco
em grande velocidade
e perdiam-se,
longe,
no escuro,
ao fundo...
Demoravam tanto a passar,
os ciclistas...
Eram tantos
os ciclistas...
E os teus pulsos
curvavam quebrados,
para que as mãos,
nervosas,
segurassem a alça
da mala de calfe escuro,
verde escuro.
Tu não sabias
que eu via,
atento
e distraído,
a largada dos ciclistas
e a sua demora,
eram tantos,
em atravessar o arco...
Os teus pulsos tão frágeis,
dobravam a noite, na alça
da mala abaulada.
Os ciclistas passavam,
linhas coloridas
e rápidas,
rasgavam a noite
com as suas vozes
gritadas,
incompreensíveis,
passavam o arco
em grande velocidade
e perdiam-se,
longe,
no escuro,
ao fundo...
Demoravam tanto a passar,
os ciclistas...
Eram tantos
os ciclistas...
E os teus pulsos
curvavam quebrados,
para que as mãos,
nervosas,
segurassem a alça
da mala de calfe escuro,
verde escuro.
Tu não sabias
que eu via,
atento
e distraído,
a largada dos ciclistas
e a sua demora,
eram tantos,
em atravessar o arco...
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