Acendi os fósforos,
um a um,
com a maldade
de uma criança.
Só que bem perto
do fim,
quando queimei
os dedos,
tu já não estavas...
domingo, 8 de abril de 2012
quinta-feira, 5 de abril de 2012
O Famoso Caderno. Expressionismo.
Depois havia um abutre
que chapinhava nos despojos
ensanguentados da loba
moribunda.
E o asco que fazia cuspir
o muco interdito
e obsceno
da sua maldição.
O céu praguejava
clarões de tempestade.
E uma guerra imensa
não o deixava dormir.
Por dentro das pálpebras
zumbiam os insectos
e as hienas esperavam
a sua hora, enviando
mensagens ininterruptas
na rede vodafone.
Quando desataram
as suas risadas ocas,
a loba já era cadáver.
que chapinhava nos despojos
ensanguentados da loba
moribunda.
E o asco que fazia cuspir
o muco interdito
e obsceno
da sua maldição.
O céu praguejava
clarões de tempestade.
E uma guerra imensa
não o deixava dormir.
Por dentro das pálpebras
zumbiam os insectos
e as hienas esperavam
a sua hora, enviando
mensagens ininterruptas
na rede vodafone.
Quando desataram
as suas risadas ocas,
a loba já era cadáver.
O Famoso Caderno. Bipolar.
Eu teria feito a cama
com lençóis de veludo
e mantas de cabedal.
Talvez os castiçais
me trouxessem de novo
a sobriedade do sono.
Mas virei costas
às pálpebras
e abandonei a casa.
Hoje vivo a inquietação
histérica e errante
das gaivotas junto ao rio.
Desfio pétalas doidas
que murcham rápido
entre os meus dedos.
E trago
as unhas roídas,
nas mãos crispadas,
de tão rubras.
com lençóis de veludo
e mantas de cabedal.
Talvez os castiçais
me trouxessem de novo
a sobriedade do sono.
Mas virei costas
às pálpebras
e abandonei a casa.
Hoje vivo a inquietação
histérica e errante
das gaivotas junto ao rio.
Desfio pétalas doidas
que murcham rápido
entre os meus dedos.
E trago
as unhas roídas,
nas mãos crispadas,
de tão rubras.
quarta-feira, 21 de março de 2012
O Famoso Caderno. Para ti.
Oiço a tua voz
dentro desta sala
tão nua e beijo
os teus olhos
fugidios,
perdidos no sorriso
irónico,
que só tu sabes
porque o tens.
Vejo o teu vulto
esguio
em qualquer pintura,
os ombros,
os teus ombros,
sobretudo,
vejo-os no realismo
destas minhas
mãos
abertas,
vazias,
tão minhas
e tão sós.
Depois, tu,
ao longe,
serás luz
e cor,
serás tu
própria,
envolta já
no tule da noite.
Que me importa?
Se és tu,
tu mesma.
dentro desta sala
tão nua e beijo
os teus olhos
fugidios,
perdidos no sorriso
irónico,
que só tu sabes
porque o tens.
Vejo o teu vulto
esguio
em qualquer pintura,
os ombros,
os teus ombros,
sobretudo,
vejo-os no realismo
destas minhas
mãos
abertas,
vazias,
tão minhas
e tão sós.
Depois, tu,
ao longe,
serás luz
e cor,
serás tu
própria,
envolta já
no tule da noite.
Que me importa?
Se és tu,
tu mesma.
segunda-feira, 19 de março de 2012
sexta-feira, 9 de março de 2012
O Famoso Caderno. Tempo.
Não te lances ainda
nesse voo mortal.
As asas têm anjos
que só as sabem segurar.
Vá, não voes,
deixa estar o vento.
nesse voo mortal.
As asas têm anjos
que só as sabem segurar.
Vá, não voes,
deixa estar o vento.
sábado, 25 de fevereiro de 2012
O Famoso Caderno. De A a Z.
É melhor atirar-se à luta
do que permanecer estático,
do que permanecer estático,
ao volante, na estrada rápida,
como os pobres de espírito,
com que me cruzo, mais velozes ainda,
inconscientes,
que não conhecem a glória
de ressurgir dos escombros,
que não conhecem a glória
de ressurgir dos escombros,
quando se estampam,
os infelizes.
os infelizes.
Subscrever:
Mensagens (Atom)