Atravessaste tão depressa
a estrada,
a janela entre os arbustos
e o teu vulto fugaz,
o rosto,
o nariz grego,
a testa de Anatólia,
o sorriso pirata
das barcas do Bósforo.
Veloz, singravas por atalhos,
vias florestais, encostas tão íngremes,
como a solidão em que vivias,
o teu segredo, a noite escura.
O casaco cruzado,
a mala.
O teu silêncio,
o teu segredo
na noite escura,
o marulhar da água,
a luz dum sorriso,
as estrelas.
O carro,
tão rápido.
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
O Sonho 2.
A noite com cheiro a estopa,
tão cedo no camarote,
mas tão de noite.
O ruído permanente do ventilador.
A luz acesa,
a porta frágil,
plastificada.
A quilha rasgando
o sonho.
Os chocolates?
Sentiam-se pelo aroma,
logo de manhã.
E o café.
A tosse seca
de um cigarro.
tão cedo no camarote,
mas tão de noite.
O ruído permanente do ventilador.
A luz acesa,
a porta frágil,
plastificada.
A quilha rasgando
o sonho.
Os chocolates?
Sentiam-se pelo aroma,
logo de manhã.
E o café.
A tosse seca
de um cigarro.
domingo, 19 de dezembro de 2010
Desgosto 2.
A minha vida hoje
é uma bruma entre penedos,
leves colinas geladas
e penhascos de cinza,
enevoados.
Tive o coração cheio,
a imagem sagrada,
a figura pagã.
As fardas bucólicas
dos franceses,
a glória da alvorada.
Hoje, volto ao lusco-
-fusco a espevitar a lareira
e sonho.
E sonho.
Não tenho segredos.
Sinto a garganta
apertada.
Que me interessa
que a turba
chapinhe.
é uma bruma entre penedos,
leves colinas geladas
e penhascos de cinza,
enevoados.
Tive o coração cheio,
a imagem sagrada,
a figura pagã.
As fardas bucólicas
dos franceses,
a glória da alvorada.
Hoje, volto ao lusco-
-fusco a espevitar a lareira
e sonho.
E sonho.
Não tenho segredos.
Sinto a garganta
apertada.
Que me interessa
que a turba
chapinhe.
sábado, 18 de dezembro de 2010
Feliz Natal!
Este frio gelado de Dezembro
e as luzinhas de Natal
acesas pela madrugada fora.
O vaso
e o seu vazio.
Acendo um cigarro
e rápido se formam geometrias
na espiral do fumo.
Mas está quente aqui,
nesta sala confortável.
Penso com ternura nos amigos,
sem que o saibam.
Inocentes,
devem dormir agora.
E contemplo a noite,
distraído.
Demoro-me entre
um anjo
e uma baixela.
" Só se pode atingir a plenitude
através do equilíbrio. "
Feliz Natal
e um Excelente Ano de 2011!
e as luzinhas de Natal
acesas pela madrugada fora.
O vaso
e o seu vazio.
Acendo um cigarro
e rápido se formam geometrias
na espiral do fumo.
Mas está quente aqui,
nesta sala confortável.
Penso com ternura nos amigos,
sem que o saibam.
Inocentes,
devem dormir agora.
E contemplo a noite,
distraído.
Demoro-me entre
um anjo
e uma baixela.
" Só se pode atingir a plenitude
através do equilíbrio. "
Feliz Natal
e um Excelente Ano de 2011!
domingo, 12 de dezembro de 2010
Reunião.
- A Manuela não viu ninguém?
- O Luís inflamou-se?
- Era a única Manuela,
Luís.
Só estava a Manuela.
A minha Manuela,
a minha prima Manuela,
apetece-me tanto recordá-la...
Apetece-me que agora a sala
cheire a este aroma
de tinta-da-china
e café.
Areia
e baloiços.
E tu não tens nada com isso.
Tu não gostas
de poesia.
- O Luís inflamou-se?
- Era a única Manuela,
Luís.
Só estava a Manuela.
A minha Manuela,
a minha prima Manuela,
apetece-me tanto recordá-la...
Apetece-me que agora a sala
cheire a este aroma
de tinta-da-china
e café.
Areia
e baloiços.
E tu não tens nada com isso.
Tu não gostas
de poesia.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Revoada.
Quero ver-te amanhã,
para te falar do fogo,
o fogo que queima,
abrasador.
Agora não,
estamos no Inverno.
Falar-te da Praça
do Campo Pequeno e ver-te,
só a ti.
Ver-te
num rectângulo verde
e azul
e branco.
Nos arbustos,
junto ao ringue.
Uma vez,
numa tarde de Domingo,
um malabarista manuseava
tochas acesas de fogo.
As línguas das chamas
pareciam espíritos.
Mas ver-te,
só a ti,
a sorrires-me.
Só a ti.
para te falar do fogo,
o fogo que queima,
abrasador.
Agora não,
estamos no Inverno.
Falar-te da Praça
do Campo Pequeno e ver-te,
só a ti.
Ver-te
num rectângulo verde
e azul
e branco.
Nos arbustos,
junto ao ringue.
Uma vez,
numa tarde de Domingo,
um malabarista manuseava
tochas acesas de fogo.
As línguas das chamas
pareciam espíritos.
Mas ver-te,
só a ti,
a sorrires-me.
Só a ti.
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