Tristes são os campónios, coitados,
quando não sabem onde estão.
São tristes os faróis,
na solidão das barras,
que iluminam a noite
com a sua luz circular.
A pequena burguesia de Raul Brandão,
passeando pelas latadas e entre os milheirais.
As árvores destinadas a ser tristes,
como os resistentes ciprestes.
Os adolescentes convencidos
da sua importância,
que morrem de tédio quando ficam sós.
As pessoas que ganham o céu
se lhes falou uma mulher bonita,
uma mulher conhecida.
( Eu próprio, quando via
a Laura Alves no café... )
Tristes são as famílias insípidas
que vivem com uma filha já adulta,
para quem ninguém olha.
Os cães,
tristes por viver.
A chuva que cai
pela noite fora.
A doença,
que torna as pessoas tristes,
mesmo que não pareçam.
O tédio de tudo.
A arrogância solitária
que há nos passos apressados
de quem cruza a rua
de madrugada.
sábado, 13 de novembro de 2010
Anjo da Guarda, de Nuno Júdice.
O anjo que desce do espírito com a tarde,
que queima o chão da página, que
mancha de orvalho os campos do inverno,
onde a erva insiste em manter-se,
tem o olhar cansado do infinito. Pego-lhe
na mão, ouvindo o arrastar de asas
por trás de mim, enquanto avançamos
pelo alcatrão. É certo que um anjo não
foi feito para andar; e que os seus passos
desenham um voo desajeitado na hesitação
bêbada de um rumo. Mas sento-o na
cadeira da taberna; ponho à sua frente
o amargo cálice da aguardente matinal; e
vejo-o engolir até ao fundo as gotas de
fogo do inferno, saboreando o sol que
desponta, por um instante, de entre as
nuvens que o expulsaram.
( Nuno Júdice, Pedro , Lembrando Inês, Publicações Dom Quixote, Lisboa, Fevereiro de 2009, p.13. )
que queima o chão da página, que
mancha de orvalho os campos do inverno,
onde a erva insiste em manter-se,
tem o olhar cansado do infinito. Pego-lhe
na mão, ouvindo o arrastar de asas
por trás de mim, enquanto avançamos
pelo alcatrão. É certo que um anjo não
foi feito para andar; e que os seus passos
desenham um voo desajeitado na hesitação
bêbada de um rumo. Mas sento-o na
cadeira da taberna; ponho à sua frente
o amargo cálice da aguardente matinal; e
vejo-o engolir até ao fundo as gotas de
fogo do inferno, saboreando o sol que
desponta, por um instante, de entre as
nuvens que o expulsaram.
( Nuno Júdice, Pedro , Lembrando Inês, Publicações Dom Quixote, Lisboa, Fevereiro de 2009, p.13. )
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Turcifal 2.
Fui só ao Turcifal almoçar,
pão, pão, pão!
Fui só almoçar,
pão, pão!
Aladydotcom,
yeahhh....
pão, pão, pão!
Fui só almoçar,
pão, pão!
Aladydotcom,
yeahhh....
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
L.P. ( Para Ti )
Às vezes, tu apareces no meio das tintas,
o teu sorriso inimitável, no meio dos frascos,
das telas e de um aroma forte a aguarrás.
A água das manchas e a teberentina forte
dos padrões de cor.
E sempre o teu sorriso que
bebe os teus olhos,
tão únicos.
Às vezes, repara,
és tu outra vez,
como no retrato de grupo,
a menina discreta,
a menina do fundo.
E o teu sorriso,
sempre tão puro,
sempre tão teu.
Vais ler agora?
o teu sorriso inimitável, no meio dos frascos,
das telas e de um aroma forte a aguarrás.
A água das manchas e a teberentina forte
dos padrões de cor.
E sempre o teu sorriso que
bebe os teus olhos,
tão únicos.
Às vezes, repara,
és tu outra vez,
como no retrato de grupo,
a menina discreta,
a menina do fundo.
E o teu sorriso,
sempre tão puro,
sempre tão teu.
Vais ler agora?
domingo, 7 de novembro de 2010
Sakineh Ashtiani.
Mas que mania,
Sakineh Ashtiani,
não há deus nenhum,
em lado nenhum.
Há só uns homens de barbas,
alguns, uns dez-reis-de-gente,
que impõem dogmas e lendas,
para não sabermos pensar.
Isso de haver deus,
é só passado,
Ashtiani.
O que vemos pelo Mundo,
ou não,
é apenas fome,
miséria
e dor.
E gente satisfeita,
porque não?...
Se o for realmente...
Tudo o mais
é essa terra árida
donde só saem pedras.
E a vida mesquinha
que te obrigaram a viver.
Voa, Ashtiani, voa
como voam as aves,
deixa o teu pensamento
ser um céu.
A terra onde vives
parece só ter pedras
e homens cinzentos.
Há tanta gente
que, como tu,
não é feliz...
Agora, o deus...
Sakineh Ashtiani,
não há deus nenhum,
em lado nenhum.
Há só uns homens de barbas,
alguns, uns dez-reis-de-gente,
que impõem dogmas e lendas,
para não sabermos pensar.
Isso de haver deus,
é só passado,
Ashtiani.
O que vemos pelo Mundo,
ou não,
é apenas fome,
miséria
e dor.
E gente satisfeita,
porque não?...
Se o for realmente...
Tudo o mais
é essa terra árida
donde só saem pedras.
E a vida mesquinha
que te obrigaram a viver.
Voa, Ashtiani, voa
como voam as aves,
deixa o teu pensamento
ser um céu.
A terra onde vives
parece só ter pedras
e homens cinzentos.
Há tanta gente
que, como tu,
não é feliz...
Agora, o deus...
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Novembro.
Depois dos dias de furiosa tempestade,
de um cinzento descuidado e sujo
pelas ruas alagadas,
os olhos cerrados ao fumo da água,
sem luz, nem vivalma,
Novembro surge nas fumarolas
das castanhas assadas
e do vinho doce.
Umas senhoras bem ataviadas
compram o primeiro bolo-rei
na pastelaria do bairro.
Trazem as notas enroladas
em pequenos porta-moedas
como o de verniz preto,
da mais idosa, quase trôpega já.
de um cinzento descuidado e sujo
pelas ruas alagadas,
os olhos cerrados ao fumo da água,
sem luz, nem vivalma,
Novembro surge nas fumarolas
das castanhas assadas
e do vinho doce.
Umas senhoras bem ataviadas
compram o primeiro bolo-rei
na pastelaria do bairro.
Trazem as notas enroladas
em pequenos porta-moedas
como o de verniz preto,
da mais idosa, quase trôpega já.
domingo, 31 de outubro de 2010
Plágio Descarado De Ruy Belo, O Grande Poeta.
O mar rebenta,
cor rubro-saturno,
a tormenta cerra o céu,
um sol branco sem aves,
a tua imagem
com algas e corais,
o meu amor.
A solidão,
névoa nocturna,
mensageira da chuva,
da tormenta,
prelúdio e fuga.
Melancolia,
olhar imerso
na tristeza.
Tu foste
um discreto gesto
na eternidade
e indefeso a ti me confiei.
Louco amor,
furor,
ATRAVÉS DA CHUVA E DA NÉVOA,
ó meu amor
o teu olhar,
o meu olhar
o teu amor.
( Cut-up aleatório de versos da obra O Tempo Das Suaves Raparigas E Outros Poemas De Amor, de Ruy Belo, Assírio e Alvim, Lisboa, Julho de 2010. Impossível a identificação das páginas. Será que o autor me perdoaria? )
cor rubro-saturno,
a tormenta cerra o céu,
um sol branco sem aves,
a tua imagem
com algas e corais,
o meu amor.
A solidão,
névoa nocturna,
mensageira da chuva,
da tormenta,
prelúdio e fuga.
Melancolia,
olhar imerso
na tristeza.
Tu foste
um discreto gesto
na eternidade
e indefeso a ti me confiei.
Louco amor,
furor,
ATRAVÉS DA CHUVA E DA NÉVOA,
ó meu amor
o teu olhar,
o meu olhar
o teu amor.
( Cut-up aleatório de versos da obra O Tempo Das Suaves Raparigas E Outros Poemas De Amor, de Ruy Belo, Assírio e Alvim, Lisboa, Julho de 2010. Impossível a identificação das páginas. Será que o autor me perdoaria? )
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