Às vezes, tu apareces no meio das tintas,
o teu sorriso inimitável, no meio dos frascos,
das telas e de um aroma forte a aguarrás.
A água das manchas e a teberentina forte
dos padrões de cor.
E sempre o teu sorriso que
bebe os teus olhos,
tão únicos.
Às vezes, repara,
és tu outra vez,
como no retrato de grupo,
a menina discreta,
a menina do fundo.
E o teu sorriso,
sempre tão puro,
sempre tão teu.
Vais ler agora?
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
domingo, 7 de novembro de 2010
Sakineh Ashtiani.
Mas que mania,
Sakineh Ashtiani,
não há deus nenhum,
em lado nenhum.
Há só uns homens de barbas,
alguns, uns dez-reis-de-gente,
que impõem dogmas e lendas,
para não sabermos pensar.
Isso de haver deus,
é só passado,
Ashtiani.
O que vemos pelo Mundo,
ou não,
é apenas fome,
miséria
e dor.
E gente satisfeita,
porque não?...
Se o for realmente...
Tudo o mais
é essa terra árida
donde só saem pedras.
E a vida mesquinha
que te obrigaram a viver.
Voa, Ashtiani, voa
como voam as aves,
deixa o teu pensamento
ser um céu.
A terra onde vives
parece só ter pedras
e homens cinzentos.
Há tanta gente
que, como tu,
não é feliz...
Agora, o deus...
Sakineh Ashtiani,
não há deus nenhum,
em lado nenhum.
Há só uns homens de barbas,
alguns, uns dez-reis-de-gente,
que impõem dogmas e lendas,
para não sabermos pensar.
Isso de haver deus,
é só passado,
Ashtiani.
O que vemos pelo Mundo,
ou não,
é apenas fome,
miséria
e dor.
E gente satisfeita,
porque não?...
Se o for realmente...
Tudo o mais
é essa terra árida
donde só saem pedras.
E a vida mesquinha
que te obrigaram a viver.
Voa, Ashtiani, voa
como voam as aves,
deixa o teu pensamento
ser um céu.
A terra onde vives
parece só ter pedras
e homens cinzentos.
Há tanta gente
que, como tu,
não é feliz...
Agora, o deus...
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Novembro.
Depois dos dias de furiosa tempestade,
de um cinzento descuidado e sujo
pelas ruas alagadas,
os olhos cerrados ao fumo da água,
sem luz, nem vivalma,
Novembro surge nas fumarolas
das castanhas assadas
e do vinho doce.
Umas senhoras bem ataviadas
compram o primeiro bolo-rei
na pastelaria do bairro.
Trazem as notas enroladas
em pequenos porta-moedas
como o de verniz preto,
da mais idosa, quase trôpega já.
de um cinzento descuidado e sujo
pelas ruas alagadas,
os olhos cerrados ao fumo da água,
sem luz, nem vivalma,
Novembro surge nas fumarolas
das castanhas assadas
e do vinho doce.
Umas senhoras bem ataviadas
compram o primeiro bolo-rei
na pastelaria do bairro.
Trazem as notas enroladas
em pequenos porta-moedas
como o de verniz preto,
da mais idosa, quase trôpega já.
domingo, 31 de outubro de 2010
Plágio Descarado De Ruy Belo, O Grande Poeta.
O mar rebenta,
cor rubro-saturno,
a tormenta cerra o céu,
um sol branco sem aves,
a tua imagem
com algas e corais,
o meu amor.
A solidão,
névoa nocturna,
mensageira da chuva,
da tormenta,
prelúdio e fuga.
Melancolia,
olhar imerso
na tristeza.
Tu foste
um discreto gesto
na eternidade
e indefeso a ti me confiei.
Louco amor,
furor,
ATRAVÉS DA CHUVA E DA NÉVOA,
ó meu amor
o teu olhar,
o meu olhar
o teu amor.
( Cut-up aleatório de versos da obra O Tempo Das Suaves Raparigas E Outros Poemas De Amor, de Ruy Belo, Assírio e Alvim, Lisboa, Julho de 2010. Impossível a identificação das páginas. Será que o autor me perdoaria? )
cor rubro-saturno,
a tormenta cerra o céu,
um sol branco sem aves,
a tua imagem
com algas e corais,
o meu amor.
A solidão,
névoa nocturna,
mensageira da chuva,
da tormenta,
prelúdio e fuga.
Melancolia,
olhar imerso
na tristeza.
Tu foste
um discreto gesto
na eternidade
e indefeso a ti me confiei.
Louco amor,
furor,
ATRAVÉS DA CHUVA E DA NÉVOA,
ó meu amor
o teu olhar,
o meu olhar
o teu amor.
( Cut-up aleatório de versos da obra O Tempo Das Suaves Raparigas E Outros Poemas De Amor, de Ruy Belo, Assírio e Alvim, Lisboa, Julho de 2010. Impossível a identificação das páginas. Será que o autor me perdoaria? )
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Em Memória de José António Morais, Meu Querido Amigo.
Não foi aqui que te encontrei,
nestes campos de Alijó,
pedregosos e em declive,
revendo silvas nos bolsos,
sonhando estoiros enormes,
com simples fósforos.
Nem no areal da ilha,
ao nascer do dia,
cheios de cansaço e sede.
Ou em alguma roça,
sozinho,
vestido o capim
como um agricultor.
A caminho de Murça
ao cair da manhã,
por estes campos agrestes
de oliveiras
e castanheiros,
não foi.
Entre vinhas perdidas,
vinhas encontradas,
entre os seixos
e os granitos,
não.
O teu sorriso matemático
de juventude,
não foi aqui que encontrei,
foi por outro acaso,
foi noutro Mundo.
E recordo em ti o acne,
a marcar-te o rosto
para sempre.
Perdido entre os muros
ficou o teu Tempo
muitos anos,
sem eu te ver.
E tu, sorrindo, amavas
a Terra, as flores, tantas, os filhos, lindos,
a mulher.
Todos eles, afinal,
bailavam no teu sorriso de criança,
o mesmo sorriso com que foste.
Sabes, querido amigo,
estou aqui,
sou eu.
nestes campos de Alijó,
pedregosos e em declive,
revendo silvas nos bolsos,
sonhando estoiros enormes,
com simples fósforos.
Nem no areal da ilha,
ao nascer do dia,
cheios de cansaço e sede.
Ou em alguma roça,
sozinho,
vestido o capim
como um agricultor.
A caminho de Murça
ao cair da manhã,
por estes campos agrestes
de oliveiras
e castanheiros,
não foi.
Entre vinhas perdidas,
vinhas encontradas,
entre os seixos
e os granitos,
não.
O teu sorriso matemático
de juventude,
não foi aqui que encontrei,
foi por outro acaso,
foi noutro Mundo.
E recordo em ti o acne,
a marcar-te o rosto
para sempre.
Perdido entre os muros
ficou o teu Tempo
muitos anos,
sem eu te ver.
E tu, sorrindo, amavas
a Terra, as flores, tantas, os filhos, lindos,
a mulher.
Todos eles, afinal,
bailavam no teu sorriso de criança,
o mesmo sorriso com que foste.
Sabes, querido amigo,
estou aqui,
sou eu.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Iniciação.
Repeti os gestos do poeta
com a mesma precisão dum sonhador,
porque teria de olhar para o céu,
de olhar as nuvens,
de trazer o vento
e o voo das aves
para os versos do poema.
A dor de quem sofre?
As injustiças muitas?
Camões passando fome na gruta de Macau?
Eu queria escrever
sobre o vazio das mãos abertas,
o olhar absorto,
o corpo imóvel.
Os gestos dum académico,
nunca.
com a mesma precisão dum sonhador,
porque teria de olhar para o céu,
de olhar as nuvens,
de trazer o vento
e o voo das aves
para os versos do poema.
A dor de quem sofre?
As injustiças muitas?
Camões passando fome na gruta de Macau?
Eu queria escrever
sobre o vazio das mãos abertas,
o olhar absorto,
o corpo imóvel.
Os gestos dum académico,
nunca.
domingo, 17 de outubro de 2010
Arruda-dos-Vinhos.
São alfaias e tractores
estacionados nos laranjais.
O declive sumptuoso
de ter.
Vinhas plantadas
em redor da grande casa,
ao Sol de Outubro.
As estradas serpenteando
o coração de Arruda.
O sabor do azeite quente
e do alho.
Na soalheira cidade
interior.
estacionados nos laranjais.
O declive sumptuoso
de ter.
Vinhas plantadas
em redor da grande casa,
ao Sol de Outubro.
As estradas serpenteando
o coração de Arruda.
O sabor do azeite quente
e do alho.
Na soalheira cidade
interior.
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