O vulto imóvel
sentado há horas
e o fumo lento
dum cigarro esquecido.
Houve um dia...
Uma manhã azul,
como são as manhãs
de Verão,
as cores vivas
e o alegre piar
das gaivotas...
O rolo da espuma
na quebra-mar...
O aroma adocicado
dos protectores solares...
As crianças que brincam
na areia húmida?
Há quanto tempo foi?
E porquê, lembrar isso agora?
Houve outra dia,
era de noite...
A viagem,
os faróis acesos
dos automóveis,
o espaço invisível
à volta...
Uma televisão ligada,
algures no prédio.
Ou será um transistor?
O gato que dorme,
enroscado no sofá,
em silêncio.
Há quanto tempo já,
as correrias saudáveis
na Praia do Guincho?
E para quê
lembrar isso agora?
domingo, 16 de maio de 2010
Domingo de Manhã.
Sopra o vento fino e agita
as folhas dos plátanos
numa dança leve
e o sol brilha e aquece a rua
desde manhã cedo.
No entanto,
inquieta-me o voo desequilibrado
dos pombos
e a sua incompreensível
errância.
Será que estão com fome?
as folhas dos plátanos
numa dança leve
e o sol brilha e aquece a rua
desde manhã cedo.
No entanto,
inquieta-me o voo desequilibrado
dos pombos
e a sua incompreensível
errância.
Será que estão com fome?
Deslumbramento.
Só por palavras
poderei designar
a imensidão
do céu azul,
sobre as nuvens densas.
O mistério
da dupla articulação.
E o corpo duma voz
erecta,
sensual,
que exprime
a razão
e os dias.
As folhas expelidas
pelo vento
que o Tempo secou.
E a selectividade áspera
dum herbário antigo
feito de palavras
que não morrem nunca.
O deslumbramento
da última palavra?
Talvez sim,
talvez.
poderei designar
a imensidão
do céu azul,
sobre as nuvens densas.
O mistério
da dupla articulação.
E o corpo duma voz
erecta,
sensual,
que exprime
a razão
e os dias.
As folhas expelidas
pelo vento
que o Tempo secou.
E a selectividade áspera
dum herbário antigo
feito de palavras
que não morrem nunca.
O deslumbramento
da última palavra?
Talvez sim,
talvez.
Confissão.
Sob um céu límpido
como a água pura
e um olhar de fogo
faiscando o Universo,
eu cheguei
ao limiar
de mim mesmo
e dei-me
ao vento,
à ondulação forte
e ao bailado
da Vida.
como a água pura
e um olhar de fogo
faiscando o Universo,
eu cheguei
ao limiar
de mim mesmo
e dei-me
ao vento,
à ondulação forte
e ao bailado
da Vida.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
O Sonho.
Não sei explicar
as palavras com as mãos.
Não consigo,
só com as mãos.
Nem sei se deixei
de acreditar
em alguma outra coisa.
As palavras são muito mais
amplas e lisas
que qualquer crença
ou norma.
As palavras pertencem-me,
são minhas só.
as palavras com as mãos.
Não consigo,
só com as mãos.
Nem sei se deixei
de acreditar
em alguma outra coisa.
As palavras são muito mais
amplas e lisas
que qualquer crença
ou norma.
As palavras pertencem-me,
são minhas só.
Poema-Diário.
Sou vulnerável
ao cansaço,
fico abatido
por um desfalecimento interior,
fico prostrado.
Cruzo pela milionésima vez
a perna,
ou descruzo ambas,
alternadamente.
Ninguém o julgaria
uma coisa mental.
Sinto-me desfeito
por tantas penas
e penitências.
Estou cansado.
ao cansaço,
fico abatido
por um desfalecimento interior,
fico prostrado.
Cruzo pela milionésima vez
a perna,
ou descruzo ambas,
alternadamente.
Ninguém o julgaria
uma coisa mental.
Sinto-me desfeito
por tantas penas
e penitências.
Estou cansado.
Aventura.
A pele tisnada
sem meias
nuns mocassins
já batidos.
E o azul do céu,
num mesmo relance
do mesmo olhar.
Coup d`oeil
et le soleil
en plenitude.
Os colares de coral.
Os lagos bordados
de miosótis
e flor de lótus.
sem meias
nuns mocassins
já batidos.
E o azul do céu,
num mesmo relance
do mesmo olhar.
Coup d`oeil
et le soleil
en plenitude.
Os colares de coral.
Os lagos bordados
de miosótis
e flor de lótus.
Subscrever:
Mensagens (Atom)