Que bom!
Que bom!
Fazem com gosto
o que fazem
os reis,
quando dão novos herdeiros
à nação.
São até melhores,
porque ao mesmo tempo,
fazem gelatina também.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Povinho.
Dão-se bem neste húmus
as urtigas e os cardos.
Vicejam daninhas
as ervas pelos prados.
Crescem activos e saudáveis
os rafeiros nas quintas.
Mas coitados
desses pobres de espírito,
que são felizes
a preço de saldo
e se passeiam enleados,
com ares todos aristocráticos!
as urtigas e os cardos.
Vicejam daninhas
as ervas pelos prados.
Crescem activos e saudáveis
os rafeiros nas quintas.
Mas coitados
desses pobres de espírito,
que são felizes
a preço de saldo
e se passeiam enleados,
com ares todos aristocráticos!
Elogio Do Príncipe Da Dinamarca, de Mário Cesariny.
Coitado do Hamlet!
Assassinado,
Empurrado,
Para o sepulcro que é!
Oculto entre reposteiros,
Sem paixões,
Como os ladrões
Que lucram trinta dinheiros.
Coitado do que ele vê:
Crimes,
Espectros,
Correctos.
Coitado do Hamlet!
Mário Cesariny, burlescas, teóricas e sentimentais, Colecção forma, Editorial Presença, 1972, p.56.
Assassinado,
Empurrado,
Para o sepulcro que é!
Oculto entre reposteiros,
Sem paixões,
Como os ladrões
Que lucram trinta dinheiros.
Coitado do que ele vê:
Crimes,
Espectros,
Correctos.
Coitado do Hamlet!
Mário Cesariny, burlescas, teóricas e sentimentais, Colecção forma, Editorial Presença, 1972, p.56.
Sand In My Eye.
Fica o granulado do sal
quando a água evapora,
a terra revolta
depois da colheita,
gretas abertas na rocha
pela passagem do vento.
Resíduos de madeira
e asas de mosca,
junto aos orifícios
onde as aranhas
habitam.
( " como todos os trabalhos de construção, que só deixam atrás de si algumas pedras e lixo. " ) (1)
Carcaças expostas
nas bancas de açougueiro,
como em Rembrandt.
Vísceras,
sangue.
Também se engole em seco,
quando se mudam as páginas
da vida
e os olhos se fecham ao esplendor
da luz.
É na penumbra
que o Tempo
parece flutuar.
(1) Ludwig Wittgenstein, Investigações Filosóficas, in Tratado Lógico-Filosófico e Investigações Filosóficas, 3ª edição, Fundação Calouste Gulbenkian, 2002, pp. 259, 260.
quando a água evapora,
a terra revolta
depois da colheita,
gretas abertas na rocha
pela passagem do vento.
Resíduos de madeira
e asas de mosca,
junto aos orifícios
onde as aranhas
habitam.
( " como todos os trabalhos de construção, que só deixam atrás de si algumas pedras e lixo. " ) (1)
Carcaças expostas
nas bancas de açougueiro,
como em Rembrandt.
Vísceras,
sangue.
Também se engole em seco,
quando se mudam as páginas
da vida
e os olhos se fecham ao esplendor
da luz.
É na penumbra
que o Tempo
parece flutuar.
(1) Ludwig Wittgenstein, Investigações Filosóficas, in Tratado Lógico-Filosófico e Investigações Filosóficas, 3ª edição, Fundação Calouste Gulbenkian, 2002, pp. 259, 260.
domingo, 11 de abril de 2010
Primavera.
Voltam as gaivotas
a sobrevoar a praia.
E os patos atravessam
os campos, em busca
de sapais.
Anima-se a vegetação
polvilhada de insectos.
Os dias estendem-se mais
e o Sol brilha e aquece.
Parece que a bonança
sobrevem à tempestade.
Saio de casa
para comprar jornais
no quiosque próximo.
Cruza-se comigo uma anciã
no seu passo incerto e lento.
E os adolescentes regressam
da escola, de mochila às costas
e a mastigar pastilhas.
a sobrevoar a praia.
E os patos atravessam
os campos, em busca
de sapais.
Anima-se a vegetação
polvilhada de insectos.
Os dias estendem-se mais
e o Sol brilha e aquece.
Parece que a bonança
sobrevem à tempestade.
Saio de casa
para comprar jornais
no quiosque próximo.
Cruza-se comigo uma anciã
no seu passo incerto e lento.
E os adolescentes regressam
da escola, de mochila às costas
e a mastigar pastilhas.
António Nobre, por Duarte de Viveiros.
Anto: sai dessa cova! ( É Primavera... )
Abre teus olhos grandes, poeta amigo,
E vem compor estrofes de oiro antigo
Na torre do Silêncio e da Quimera!
Por ti, saudosa, a Lusitânia espera!
Depressa, acorda! Deixa o teu jazigo...
Embrulha-te na capa e vem comigo,
Que o luar de azul está pintando a esfera!
Meu pálido e moderno português:
Não venhas triste como da outra vez
Em que eras tímida criança ainda!
Mas, traze os versos que fizeste à neve,
Aí nessa terra maternal e leve...
Bardo: levanta-te! ( Que noite linda! )
Obra Poética de Duarte de Viveiros, Lisboa MCMLX, Edição do Instituto Cultural de Ponta Delgada, p.79.
Abre teus olhos grandes, poeta amigo,
E vem compor estrofes de oiro antigo
Na torre do Silêncio e da Quimera!
Por ti, saudosa, a Lusitânia espera!
Depressa, acorda! Deixa o teu jazigo...
Embrulha-te na capa e vem comigo,
Que o luar de azul está pintando a esfera!
Meu pálido e moderno português:
Não venhas triste como da outra vez
Em que eras tímida criança ainda!
Mas, traze os versos que fizeste à neve,
Aí nessa terra maternal e leve...
Bardo: levanta-te! ( Que noite linda! )
Obra Poética de Duarte de Viveiros, Lisboa MCMLX, Edição do Instituto Cultural de Ponta Delgada, p.79.
terça-feira, 6 de abril de 2010
Desgosto.
A poesia acabou.
Fecharam-se-me as palavras num nó.
Deprimiram-se-me as emoções
até ao vazio.
Um papel que se amarrota,
para ficar uma bola inútil
na mão fechada.
Vai nascer outro dia
e eu não sei
como descrevê-lo.
O que for belo,
então,
não tem lugar aqui,
neste desgosto
de tudo.
Fecharam-se-me as palavras num nó.
Deprimiram-se-me as emoções
até ao vazio.
Um papel que se amarrota,
para ficar uma bola inútil
na mão fechada.
Vai nascer outro dia
e eu não sei
como descrevê-lo.
O que for belo,
então,
não tem lugar aqui,
neste desgosto
de tudo.
Subscrever:
Mensagens (Atom)