Uma só árvore
de Francis Ponge
faz o dia
parecer
mais leve.
Uma só árvore
verde,
no castanho
dos campos.
Faz o dia
mais cheio.
Mais pleno.
Significante.
domingo, 21 de março de 2010
Poesia.
As palavras
assim dispostas
fazem poesia.
As palavras ouvidas
algures.
As palavras
que traduzem
o âmago
das pessoas.
Tu, só tu...,
é meio verso
em Camões.
Pedacinhos de ossos...,
de Pessanha.
A Liberdade Livre,
de Ramos Rosa.
As palavras que se ouvem
na cacofonia
das vozes.
O seu sentido
lúcido.
Só.
O Livro.
Desassossego.
assim dispostas
fazem poesia.
As palavras ouvidas
algures.
As palavras
que traduzem
o âmago
das pessoas.
Tu, só tu...,
é meio verso
em Camões.
Pedacinhos de ossos...,
de Pessanha.
A Liberdade Livre,
de Ramos Rosa.
As palavras que se ouvem
na cacofonia
das vozes.
O seu sentido
lúcido.
Só.
O Livro.
Desassossego.
sábado, 13 de março de 2010
As Tulipas.
As tulipas
em jarros
de vidro,
ao Sol.
As vermelhas
vão bem
num jarro azul.
As tulipas amarelas,
no jarro verde.
E as brancas,
dispostas no preto.
Agora, sem se saber como,
estão as tulipas tombadas
no meio do chão.
em jarros
de vidro,
ao Sol.
As vermelhas
vão bem
num jarro azul.
As tulipas amarelas,
no jarro verde.
E as brancas,
dispostas no preto.
Agora, sem se saber como,
estão as tulipas tombadas
no meio do chão.
Sábado.
Abriu o Sol
hoje de manhã.
O gato correu
a espreguiçar-se.
Tomo um café,
negro,
fumegante.
Fumo o primeiro
cigarro,
o cigarro
do café.
Quase não há
movimento
lá fora.
Apenas os velhinhos,
de sacos de plástico
na mão, se encaminham
para o mercado.
Tudo o mais parece estar
muito longe,
um ponto distante
na cornocópia
do Tempo.
É Sábado de manhã
e a luz do Sol
parece envolta em silêncio.
hoje de manhã.
O gato correu
a espreguiçar-se.
Tomo um café,
negro,
fumegante.
Fumo o primeiro
cigarro,
o cigarro
do café.
Quase não há
movimento
lá fora.
Apenas os velhinhos,
de sacos de plástico
na mão, se encaminham
para o mercado.
Tudo o mais parece estar
muito longe,
um ponto distante
na cornocópia
do Tempo.
É Sábado de manhã
e a luz do Sol
parece envolta em silêncio.
quinta-feira, 4 de março de 2010
" Até ao Fim do Mundo. " ( Para ti. )
Até ao fim do Mundo.
E tu, inocente,
de nada sabes.
A força de um temporal,
hoje.
A eternidade,
depois.
A plenitude anónima
de tantas pessoas,
de tantas gentes.
Desde sempre
e por todo o lado.
Casos de vida
tão idênticos,
por vezes.
" Até ao fim do Mundo ",
meu amor verdadeiro,
prolonga o mistério
num mistério
maior.
E tu, inocente,
de nada sabes.
A força de um temporal,
hoje.
A eternidade,
depois.
A plenitude anónima
de tantas pessoas,
de tantas gentes.
Desde sempre
e por todo o lado.
Casos de vida
tão idênticos,
por vezes.
" Até ao fim do Mundo ",
meu amor verdadeiro,
prolonga o mistério
num mistério
maior.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Madeira 3.
" Fomos vendo passar casas inteiras, carros e frigoríficos. "
O céu muito escuro.
A chuva metia medo.
As ribeiras transbordaram.
Debaixo de lama, rochas
e troncos de árvore.
Estava ali há horas.
Tinham removido dos escombros
o corpo.
A derrocada.
Casas, pinheiros, carros.
Lama.
Tudo se desmoronou.
Destroços.
Pedregulhos enormes.
Pedaços de talha dourada.
O carro azul-escuro
entalado num quintal,
no meio das casas.
Correu para casa
aos gritos.
Foi procurar a mãe.
O cadáver de uma criança.
O barulho da ribeira e do vento
era ensurdecedor.
De madrugada conversaram
à luz das velas.
" Vi uma coisa escura
atrás de mim. "
Angústia.
Pânico.
O outro rumor.
Aflição. Choro.
( Elaborado a partir da reportagem " Morte e Sobrevivência ", revista Sábado, nº304- 25 de Fevereiro a 3 de Março de 2010. )
O céu muito escuro.
A chuva metia medo.
As ribeiras transbordaram.
Debaixo de lama, rochas
e troncos de árvore.
Estava ali há horas.
Tinham removido dos escombros
o corpo.
A derrocada.
Casas, pinheiros, carros.
Lama.
Tudo se desmoronou.
Destroços.
Pedregulhos enormes.
Pedaços de talha dourada.
O carro azul-escuro
entalado num quintal,
no meio das casas.
Correu para casa
aos gritos.
Foi procurar a mãe.
O cadáver de uma criança.
O barulho da ribeira e do vento
era ensurdecedor.
De madrugada conversaram
à luz das velas.
" Vi uma coisa escura
atrás de mim. "
Angústia.
Pânico.
O outro rumor.
Aflição. Choro.
( Elaborado a partir da reportagem " Morte e Sobrevivência ", revista Sábado, nº304- 25 de Fevereiro a 3 de Março de 2010. )
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