Bonito, bonito...
é o jovem velocista africano,
pronto para correr
na pista de 100 metros.
É o índio na pradaria,
a cavalo do seu Mustang
malhado.
Bonito é o ganadeiro ribatejano,
que se passeia por bares à noite,
vestido de canastrão sóbrio
e não sabe ainda que o é.
É o turco de Istambul
ao cair da tarde,
que encanta as turistas
com os seus olhos verdes.
O esquimó pobre
vestido de peles de urso branco,
que come com auto suficiência
a carne crua das focas.
Bonito, realmente,
é o mecânico de subúrbio,
que cultiva os biceps
sob a t-shirt de feira.
O pescador humilde,
que tem olhos da cor do mar.
O turista acidental,
que se passeia com uma Beth
Ditto qualquer
e é feliz.
O marido da sostra,
que não era quando se casou.
O inevitável boémio,
o eterno solitário,
sem qualquer interesse
nem nenhuma posição.
Talvez também esse futebolista,
que trabalha dentro das chuteiras
e pensa dentro do relvado.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Para a Tôchim.
Amo as tempestades nocturnas
e o ribombar dos trovões.
( Nesse mar pouco chão,
de pouco me serviria
a carta de patrão... )
Amo as falésias,
o sal que se estilhaça
quando rebenta o mar.
Amo o sobrevoo
de helicópteros
sobre a pradaria.
A força das manadas
contra os curros.
O trote elegante
das éguas
na manhã serena.
O formigueiro sibilante
ao Sol de África.
Amo o silêncio
das nuvens altas,
estas nuvens negras
de chumbo.
E o som do chuveiro
de encontro
ao reposteiro.
Sair do banho
para a solidão
da casa.
Acender o candeeiro
da cozinha
e inundar-me
da luz de lama,
do sonho de argila,
a terracota fina
da tua memória
em mim.
Amo a mudez
do telemóvel,
outro dia ainda.
O chá de tília
antes de adormecer.
E a ti,
na brancura pura
doutro amanhecer,
eu amo-te ainda mais,
só a ti.
e o ribombar dos trovões.
( Nesse mar pouco chão,
de pouco me serviria
a carta de patrão... )
Amo as falésias,
o sal que se estilhaça
quando rebenta o mar.
Amo o sobrevoo
de helicópteros
sobre a pradaria.
A força das manadas
contra os curros.
O trote elegante
das éguas
na manhã serena.
O formigueiro sibilante
ao Sol de África.
Amo o silêncio
das nuvens altas,
estas nuvens negras
de chumbo.
E o som do chuveiro
de encontro
ao reposteiro.
Sair do banho
para a solidão
da casa.
Acender o candeeiro
da cozinha
e inundar-me
da luz de lama,
do sonho de argila,
a terracota fina
da tua memória
em mim.
Amo a mudez
do telemóvel,
outro dia ainda.
O chá de tília
antes de adormecer.
E a ti,
na brancura pura
doutro amanhecer,
eu amo-te ainda mais,
só a ti.
domingo, 31 de janeiro de 2010
No Tempo de Keats.
No tempo de Keats
não havia electricidade,
pois então.
Não havia automóvel,
nem avião.
Vivia-se em quintas
e as cidades eram sujas
e enlameadas.
No tempo de Keats
havia o Napoleão.
Oh, como era
o tempo de Keats
e o que não havia
nesse tempo?!...
No tempo de Keats
as folhas caíam
no Outono.
Os patos migravam,
pois então.
As palavras eram doces,
ou não.
A noite iluminava-se
a carvão.
No tempo de Keats
não havia desodorizantes
para a transpiração.
não havia electricidade,
pois então.
Não havia automóvel,
nem avião.
Vivia-se em quintas
e as cidades eram sujas
e enlameadas.
No tempo de Keats
havia o Napoleão.
Oh, como era
o tempo de Keats
e o que não havia
nesse tempo?!...
No tempo de Keats
as folhas caíam
no Outono.
Os patos migravam,
pois então.
As palavras eram doces,
ou não.
A noite iluminava-se
a carvão.
No tempo de Keats
não havia desodorizantes
para a transpiração.
O Vento.
O vento corta frio
as esquinas
e rasga-me a pele
como uma lâmina.
Arrasta em turbilhão
as folhas mortas
do esquecimento
de tudo.
Tenho os olhos molhados
da água e do vento,
mas não posso agora
virar as costas
ao tempo.
Este vento cega.
Este vento satura o espaço
e uiva louco
e sem destino.
No fundo granuloso
do jardim,
o vento parece mesmo
que faz fumo.
as esquinas
e rasga-me a pele
como uma lâmina.
Arrasta em turbilhão
as folhas mortas
do esquecimento
de tudo.
Tenho os olhos molhados
da água e do vento,
mas não posso agora
virar as costas
ao tempo.
Este vento cega.
Este vento satura o espaço
e uiva louco
e sem destino.
No fundo granuloso
do jardim,
o vento parece mesmo
que faz fumo.
Desânimo.
Inércia.
Paragem de ritmo.
Dilatação do Tempo.
Ausência
e vazio.
Vontade insatisfeita.
O Outro foi sempre
mais feliz.
Desde a infância.
Insensibilidade
e indiferença.
Que fazer?
Paragem de ritmo.
Dilatação do Tempo.
Ausência
e vazio.
Vontade insatisfeita.
O Outro foi sempre
mais feliz.
Desde a infância.
Insensibilidade
e indiferença.
Que fazer?
Ostentação.
O tweed cinzento de lã
e as jantes imaculadas de prata
do automóvel novo rico.
Não é assim que tu queres.
Um céu azul clarinho de Inverno,
os parafusos de aço na grelha desbocada
do estúpido automóvel
e as calças vincadas pela empregada.
Não é assim que tu queres.
O pullover antracite
e o sorriso claro,
Sensodine,
amável, simpático.
Tu queres de outro modo.
Tu queres tudo,
sem ti.
Porque tu não estás
em ti.
e as jantes imaculadas de prata
do automóvel novo rico.
Não é assim que tu queres.
Um céu azul clarinho de Inverno,
os parafusos de aço na grelha desbocada
do estúpido automóvel
e as calças vincadas pela empregada.
Não é assim que tu queres.
O pullover antracite
e o sorriso claro,
Sensodine,
amável, simpático.
Tu queres de outro modo.
Tu queres tudo,
sem ti.
Porque tu não estás
em ti.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
E o Mercedes.
E o Mercedes
põe o anel de ouro
no mindinho.
O Mercedes
é boa gente,
tem amigas
às migalhas.
O Mercedes
quando troca de fato
volta-se para as colegas
e vai
e diz,
" Vai uma volta,
nos corredores do Vasco?... "
Só de pensar nisso
o Mercedes acorda
e põe o ouro
no mindinho.
põe o anel de ouro
no mindinho.
O Mercedes
é boa gente,
tem amigas
às migalhas.
O Mercedes
quando troca de fato
volta-se para as colegas
e vai
e diz,
" Vai uma volta,
nos corredores do Vasco?... "
Só de pensar nisso
o Mercedes acorda
e põe o ouro
no mindinho.
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