quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Haiti 6.

O sangue tinge
o cinzento sujo
dos escombros.

Haiti 5.

Os olhos
envoltos
no algodão
da poeira.

Os olhos
orbitados
no cimento
dos rostos.

As mãos,
palmitos
sem préstimo.

As mãos
abertas.

Os dedos
apontam
para dentro
das mãos.

Dos olhos.

Haiti 4.

As lágrimas
sulcam rostos
secos
até
aos dentes.

Haiti 3.

Corpos devastados
pelo horror.

E as crianças...

As crianças
suspensas
da inocência.

Haiti 2.

Escombros retor-
cidos.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Haiti.

As palmeiras estão de pé
no jardim presidencial
em Port-au-Prince...

Inverno.

A chuva e o frio,
o vento e a neve
dobram-me ao dia-a-dia,
sujeitam-me à nostalgia,
ao cansaço
e à rotina.

Tudo está cinzento
e molhado.
E as mãos,
o cabelo,
gelados.

Ah, o sabor quente
do chocolate
e o seu aroma fino...

Lisboa volta ao que era,
nos anos cinquenta
e sessenta.

Sobretudos monótonos
e o ar pingado
das pobres pessoas
pelas praças
e nas avenidas.

Chego a casa e ouço música.
Ponho os óculos e escrevo
textos realistas...

O Tempo assim
parece que pára.