O gato mistura-se com as tintas, preparadas para o retrato inacabado de Dante Alighieri.
Enquanto dormito no sofá, passo em revista as composições de David Cunningham, " Low Sun ", " Only Shadows ", de " Water ", Vol. 31 de Made To Measure.
Os pingos metálicos da chuva contra os estores da sala vêm misturar-se,
cinematograficamente,
com os sons das peças de música.
Nenhuma cabala se vislumbra
na confecção simples de umas espetadas grelhadas, para acompanhar um arroz de manteiga, ao jantar.
Caiu a noite, indelével,
e lá vamos nós, em trânsito, no baloiço da Vida.
Falei contigo há pouco pelo telemóvel,
eram dezanove horas e trinta e quatro.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Sonho.
A oito mil pés de altitude
sobre a extensão cinzenta das nuvens,
uma estranha solidão me absorve.
Ao meu lado, porém,
o figurino cromático
da tua presença.
Azul, verde e negro
de azeviche.
És tu.
Tu
e esse teu discreto
perfume francês.
Pela vigia de bordo,
numa lenta ilusão de movimento,
assisto à combustão contínua
de relâmpagos,
que me ferem os olhos.
E um pássaro,
inesperadamente,
vem pousar na lapela azul
do teu casaco.
sobre a extensão cinzenta das nuvens,
uma estranha solidão me absorve.
Ao meu lado, porém,
o figurino cromático
da tua presença.
Azul, verde e negro
de azeviche.
És tu.
Tu
e esse teu discreto
perfume francês.
Pela vigia de bordo,
numa lenta ilusão de movimento,
assisto à combustão contínua
de relâmpagos,
que me ferem os olhos.
E um pássaro,
inesperadamente,
vem pousar na lapela azul
do teu casaco.
sábado, 28 de novembro de 2009
Sábado de Manhã.
Tomo um café fumegante
e fresco ao Sábado de manhã,
com todo o vagar de quem
não tem nada que fazer.
Sinto o mesmo sossego
monótono dos sons
que sobem da rua.
E não penso.
Nem sinto.
Como são belos, por vezes,
os versos que nos revelam
ter pouco para dizer...
Testemunho, tão só, de uma voz
que ainda não se silenciou.
E de uma manhã
saturada pelo aroma quente
de uma chávena de café.
e fresco ao Sábado de manhã,
com todo o vagar de quem
não tem nada que fazer.
Sinto o mesmo sossego
monótono dos sons
que sobem da rua.
E não penso.
Nem sinto.
Como são belos, por vezes,
os versos que nos revelam
ter pouco para dizer...
Testemunho, tão só, de uma voz
que ainda não se silenciou.
E de uma manhã
saturada pelo aroma quente
de uma chávena de café.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Philophobia. ( Arab Strap )
Hoje foi um dia sem graça,
o nevoeiro de manhã
e a chuva depois, todo o dia.
Sinais desse menino de Augusto Gil
arrastando os pezinhos na neve.
Um recolhimento franciscano,
sem interesse, no sofá da sala.
O gato enrolado e a humidade
fria, que não se dissipa.
Nenhum escrúpulo.
Apenas o silêncio.
Vazio.
( CHEM21CD. PHILOPHOBIA BY ARAB STRAP. / C & P 1998 CHEMICAL UNDERGROUND RECORDS. )
o nevoeiro de manhã
e a chuva depois, todo o dia.
Sinais desse menino de Augusto Gil
arrastando os pezinhos na neve.
Um recolhimento franciscano,
sem interesse, no sofá da sala.
O gato enrolado e a humidade
fria, que não se dissipa.
Nenhum escrúpulo.
Apenas o silêncio.
Vazio.
( CHEM21CD. PHILOPHOBIA BY ARAB STRAP. / C & P 1998 CHEMICAL UNDERGROUND RECORDS. )
domingo, 22 de novembro de 2009
Amor Bonito. ( Para Ti )
A Flora que vês neste medalhão,
enquadra o teu rosto
numa serenidade luminosa.
É um bosque natural
bordado de verde e cinza
e ao centro,
os teus olhos repousam cintilantes,
como se fossem maquilhados
pela própria Via Láctea.
As aves vêm acordar o bosque
com os seus trinados finos.
E são as tuas pálpebras,
de tão vivas,
que acendem no meu coração
o fogo deste amor,
que eu sinto por ti.
enquadra o teu rosto
numa serenidade luminosa.
É um bosque natural
bordado de verde e cinza
e ao centro,
os teus olhos repousam cintilantes,
como se fossem maquilhados
pela própria Via Láctea.
As aves vêm acordar o bosque
com os seus trinados finos.
E são as tuas pálpebras,
de tão vivas,
que acendem no meu coração
o fogo deste amor,
que eu sinto por ti.
sábado, 21 de novembro de 2009
20 de Novembro. ( Para a L. P. )
Ficou tanto por dizer.
Não te contei que o céu
já era estrelado, antes daquela luzinha
lá ao alto...
Ou que são os sinos que ainda acordam,
nos vales, a letargia
cinzenta das aldeias...
Ou deste gato azul,
meu amor,
ouves?,
ronronando para ti...
Ficou tanto por fazer...
Os passeios de eléctrico
atravessando o Chiado à tarde...
Um chá de menta e chocolate
e um prato de scones ao lanche.
Lá fora, o frio do Outono
e as iluminações que já anunciam
a Quadra Natalícia...
E depois, meu amor,
as sapatarias que não fomos
espreitar,
e os grandes armazéns,
ainda há grandes armazéns
no Chiado?...
Ainda, amor?...
E por esquecer,
amor,
o que ficou?
Queres que diga agora,
ou preferes,
olhar lá ao fundo o rio
e como ondula suave,
pela tarde?
E o Tempo, amor,
será que há ainda Tempo
para nós?
Dois bilhetes de cinema
para uma sessão às sete?...
Ouves?...
Eu amo-te,
meu amor...
Não te contei que o céu
já era estrelado, antes daquela luzinha
lá ao alto...
Ou que são os sinos que ainda acordam,
nos vales, a letargia
cinzenta das aldeias...
Ou deste gato azul,
meu amor,
ouves?,
ronronando para ti...
Ficou tanto por fazer...
Os passeios de eléctrico
atravessando o Chiado à tarde...
Um chá de menta e chocolate
e um prato de scones ao lanche.
Lá fora, o frio do Outono
e as iluminações que já anunciam
a Quadra Natalícia...
E depois, meu amor,
as sapatarias que não fomos
espreitar,
e os grandes armazéns,
ainda há grandes armazéns
no Chiado?...
Ainda, amor?...
E por esquecer,
amor,
o que ficou?
Queres que diga agora,
ou preferes,
olhar lá ao fundo o rio
e como ondula suave,
pela tarde?
E o Tempo, amor,
será que há ainda Tempo
para nós?
Dois bilhetes de cinema
para uma sessão às sete?...
Ouves?...
Eu amo-te,
meu amor...
Chaval. ( Alexandre O`Neill )
Entre o Bem e o Mal,
cresce a borbulha na cara do chaval.
O chaval ainda não sabe
que a barba, bem ou mal
feita, é uma banalidade
matinal.
Alexandre O`Neill, Poesias Completas, De Ombro na Ombreira, Assírio e Alvim, 3ª Edição, Outubro 2002, pág. 272.
cresce a borbulha na cara do chaval.
O chaval ainda não sabe
que a barba, bem ou mal
feita, é uma banalidade
matinal.
Alexandre O`Neill, Poesias Completas, De Ombro na Ombreira, Assírio e Alvim, 3ª Edição, Outubro 2002, pág. 272.
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