Caiu a neve na Serra
e, perdido o rasto das cabras,
todo o dia os lobos uivaram.
É grande a agitação na alcateia.
Rixas, correrias, latidos de dor
e o olhar faiscando ódio
dos mais famintos.
Nos vales, apavoram-se as
capoeiras, ao cair da noite.
Todos vivem em sobressalto,
agora que o tempo mudou.
O manto branco cobre
toda a Serra.
Crepitam as lareiras e o fumo
das chaminés confunde-se
com o nevoeiro cerrado.
Agora coabitam os animais
com os rudes montanheiros.
Só os casebres perdidos de xisto
parece que sujam a noite na Serra.
E, inquietação suprema,
toda a noite os lobos uivaram.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Talvez um Retrato.
A Lua reflecte-se límpida
nos teus olhos
de noite.
E o teu cabelo é da cor
das folhas das videiras
no Outono.
O sorriso,
arroio leve de água
pura.
Vestem-te
e calçam-te
os figurinos
mais recentes.
Nem saberias ser
de outra forma.
Por isso é que
reparam em ti,
mesmo as raparigas
mais elegantes.
Também por isso és
o orgulho dos que são teus.
A jóia mais valiosa,
porém, tens guardada dentro
do peito.
Toda feita em ouro de lei,
é o teu próprio coração.
nos teus olhos
de noite.
E o teu cabelo é da cor
das folhas das videiras
no Outono.
O sorriso,
arroio leve de água
pura.
Vestem-te
e calçam-te
os figurinos
mais recentes.
Nem saberias ser
de outra forma.
Por isso é que
reparam em ti,
mesmo as raparigas
mais elegantes.
Também por isso és
o orgulho dos que são teus.
A jóia mais valiosa,
porém, tens guardada dentro
do peito.
Toda feita em ouro de lei,
é o teu próprio coração.
domingo, 18 de outubro de 2009
Silêncio.
Não tragas tanta gente
para estes versos.
Já sabes que o Tempo
te sobrevive
sempre.
E o teu silêncio
tem luz.
para estes versos.
Já sabes que o Tempo
te sobrevive
sempre.
E o teu silêncio
tem luz.
Diário ( Outubro )
Há um espelho à entrada de casa.
A sua superfície lisa, limpa
e transparente.
No Porto de Luanda,
no cais do Niassa
à noite.
Torneiras abertas para o mar.
Essa paz envolveu-me
para sempre.
A solidão nocturna dos carros do lixo.
Os semáforos com laranja intermitente.
Os homens da Câmara que regam as ruas
de madrugada.
A noite sempre escura, sempre igual.
A triste vida de Lisboa.
E só hoje o escrever.
... e digas quando vens a Portugal.
Depois, tudo se dissipa
nessa nuvem furiosa...
Esta neblina perdida
das tardes de Outubro.
As colinas dos arredores
e os seus buxos e arbustos.
A linha do teu corpo
envolta no azul.
Eu não esqueci nunca
as palmeiras na praia
e a extensão branca da areia.
Não cheguei a adormecer.
Fui sempre
um outro.
A sua superfície lisa, limpa
e transparente.
No Porto de Luanda,
no cais do Niassa
à noite.
Torneiras abertas para o mar.
Essa paz envolveu-me
para sempre.
A solidão nocturna dos carros do lixo.
Os semáforos com laranja intermitente.
Os homens da Câmara que regam as ruas
de madrugada.
A noite sempre escura, sempre igual.
A triste vida de Lisboa.
E só hoje o escrever.
... e digas quando vens a Portugal.
Depois, tudo se dissipa
nessa nuvem furiosa...
Esta neblina perdida
das tardes de Outubro.
As colinas dos arredores
e os seus buxos e arbustos.
A linha do teu corpo
envolta no azul.
Eu não esqueci nunca
as palmeiras na praia
e a extensão branca da areia.
Não cheguei a adormecer.
Fui sempre
um outro.
O Amor 2. ( Para a L. P. )
O amor é uma rotina
saborosa,
como o lançamento
de foguetões,
também é.
Deslizam os golfinhos
na superfície da água
e o amor estende-se
e eleva-se
como uma asa-delta.
O amor também vive
da ausência
e da separação.
É bom interromper.
O amor, não.
saborosa,
como o lançamento
de foguetões,
também é.
Deslizam os golfinhos
na superfície da água
e o amor estende-se
e eleva-se
como uma asa-delta.
O amor também vive
da ausência
e da separação.
É bom interromper.
O amor, não.
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